SÍTIO viu potencial do coworking antes da pandemia e chega aos cinco milhões este ano

SÍTIO viu potencial do coworking antes da pandemia e chega aos cinco milhões este ano

Rede portuguesa de escritórios partilhados abriga 300 empresas em 12 localizações, num mercado que deverá triplicar até 2030, e acredita no conceito de 'felicidade produtiva' e comunidade.
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Antecipar o futuro do trabalho em seis anos foi o toque de Midas que permitiu à Sítio, uma rede portuguesa de escritórios partilhados e flexíveis, estar hoje presente em vários pontos do país e chegar aos cinco milhões de euros. Se hoje é fácil reconhecer o coworking como uma tendência em alta, que explodiu após a pandemia, não era necessariamente assim em 2014, quando a empresa se aventurou neste ramo.

O certo é que, passada mais de uma década, a aposta tem-se revelado frutífera, com a empresa a somar 300 clientes na rede, 12 localizações e a estimar uma faturação de cinco milhões de euros em 2026. Algumas projeções indicam que o mercado global de coworking irá triplicar até 2030.

“Começámos a operar em 2014 quando ainda não havia a Covid-19, nem a moda do teletrabalho”, relata Francisco Sommer, diretor de operações, em entrevista ao DN/DV. A ideia de avançar com este negócio surge num contexto em que “o trabalho deixa de ser necessariamente num sítio fixo e em que aparece uma nova geração de profissionais, sobretudo da ‘geração z’, que olha para o trabalho e o local de trabalho também como uma experiência”. E, continua, “dentro desta nova mentalidade, valoriza-se muito a flexibilidade, o propósito e o bem-estar”.

E, segundo Francisco Sommer, é justamente isso que os espaços da Sítio proporcionam, flexibilidade e bem-estar. Porque “a ideia não é ser apenas um espaço onde as pessoas vão para trabalhar, mas também onde possam fazer contactos, trocar ideias, aprender e ter momentos de descontração”. Esse é, pelo menos, o objetivo dos eventos dinamizados pela empresa em dias específicos, com workshops, talks sobre temas diversos, demo days ou happy hours para ajudar a criar comunidades. Melhorar a felicidade no trabalho, incorporando o conceito de ‘felicidade produtiva’ _segundo o qual pessoas mais felizes produzem mais _é também um propósito assumido. (Alguns estudos sugerem que as pessoas felizes são 31% mais produtivas e três vezes mais inovadoras do que as pessoas infelizes.)

Modalidades para todos os gostos

Os clientes, particulares ou empresas, podem aderir a vários tipos de modalidades, “desde um trabalhador liberal que usa o espaço um ou dois dias por semana, no regime de secretária livre, até a empresa que aluga salas para duas, oito, 16, 20 ou 30 pessoas”, explica o responsável.

Com a generalização dos regimes de trabalho híbridos, assim são também os escritórios da Sítio, em que “umas empresas os usam às segundas e quartas e outras às terças, quintas e sextas”. São soluções que permitem a flexibilidade que os profissionais procuram, mas também “ajudam as baixar os custos de operação, sobretudo na fase de lançamento das empresas”.

Dependendo da localização, os valores praticados rondam os 200 a 300 euros mensais por secretária, esclarece o diretor de operações, sendo que em muitos casos, “as localizações são mesmo muito centrais e de elevada cotação, dificilmente ao alcance do orçamento de uma pequena empresa”. Disso são exemplo os escritórios na Avenida da Liberdade, em Lisboa, ou os dos do Campo Alegre e Bom Sucesso, no Porto. Do total de 12 espaços, sete dos quais em Lisboa (Alvalade, Sete Rios, Rossio, Saldanha e Alto de São João), a oferta estende-se também a Gaia, Aveiro, Guimarães e, nos próximos meses, a Évora.

As empresas da chamada nova economia, das tecnologias de informação, representam uma fatia importante dos clientes, mas não só, estando distribuídas em diferentes hubs especializados que a Sítio encoraja em parceria com outras entidades. Existem o hub da Unicorn Factory, o Portugal Fintech ou o hub da IA (Inteligêncial Artificial). “A ideia é que em cada hub os profissionais e as empresas possam aprender uns com os outros e já aconteceu terem surgido novos projetos dessa interação”, assevera Francisco Sommer.

Por outro lado, as empresas da rede também têm os seus processos de recrutamento facilitados com maior fiabilidade, uma vez que podem aceder à base de dados da Sítio, respeitando as normas legais, acrescenta.

O crescimento da Sítio não é dissociável da alta verigionosa dos preços no mercado imobiliário, que afeta tanto a habitação como os espaços comerciais, reconhece o diretor de operações. E, se bem que a chegada de novas comunidades de estrangeiros a Portugal e de nómadas digitais, também se espelhe nos números da empresa, “a grande maioria dos clientes, entre 70% a 80% são portugueses”.

A Sítio está integrada no grupo de empresas HIMO que se dedica à mediação imobiliária e à gestão de projetos, através das empresas Habita e Roots.

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