É a segunda descida do preço do leite em São Miguel em 2026.
É a segunda descida do preço do leite em São Miguel em 2026.Foto: Canva

“Situação dramática”: produtores de leite de São Miguel temem perder 15 milhões de euros

As contas são feitas um dia depois de a Unileite ter anunciado uma descida de dois cêntimos por litro no preço do leite pago ao produtor a partir de setembro, na ilha de São Miguel.
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O presidente da Federação Agrícola dos Açores disse hoje que os produtores de leite de São Miguel podem perder 15 milhões de euros de receita até ao final do ano com as descidas de preços anunciadas pela indústria.

“Isto é uma situação dramática para nós produtores, porque até ao final do ano vamos ter menos 15 milhões euros de receita com a baixa de preço do leite e toda a gente sabe que o aumento de custos de produção está iminente. O gasóleo sobe uma brutalidade e o Governo [Regional] nem ajuda nessa situação”, afirmou, em declarações à Lusa, o presidente da Federação Agrícola dos Açores, Jorge Rita.

As contas do dirigente associativo são feitas um dia depois de a Unileite ter anunciado uma descida de dois cêntimos por litro no preço do leite pago ao produtor a partir de setembro, na ilha de São Miguel.

Também a Bel já tinha anunciado uma descida de 1,5 cêntimos por litro, a partir de setembro, em São Miguel, seguindo o exemplo de Lactogal, da Insulac e da Prolacto, que baixaram o preço do leite pago ao produtor em agosto. “Sabemos que os mercados são difíceis, mas, independentemente dos mercados, nunca há, da parte da indústria, um segurar de preços para que não se prejudiquem ainda mais os produtores”, lamentou Jorge Rita.

Esta, sublinhou, é a segunda descida do preço do leite em São Miguel em 2026 e surge numa altura em que o preço do gasóleo vai subir 16,3 cêntimos por litro. “Nós estamos com custos muito mais elevados. O gasóleo subiu 48 cêntimos este ano, em relação ao ano passado. Isto é muito. Com as descidas do preço do leite e da carne, com o aumento dos custos de produção, com o aumento dos custos da mão de obra, que está em falta, não é um processo fácil para os agricultores”, frisou.

A lavoura açoriana reclama ainda um apoio de 23 milhões de euros de ajudas para fazer face ao aumento dos custos de produção, devido à guerra na Ucrânia, que foram atribuídas apenas em Portugal continental. Também as verbas anunciadas devido à guerra no Irão “já foram acordadas, mas ainda não foram transferidas”.

Jorge Rita falou numa “frustração enorme” entre os produtores. Temem novos aumentos dos custos de produção, com a seca em alguns países da Europa, que poderá fazer disparar o preço dos cereais.

“Isto é um desânimo total para quem produz, para quem quer investir. Depois andamos todos nós com o discurso de que é preciso cativar os jovens para virem para o setor. Eu próprio tenho tido um empenho enorme para que os jovens venham para o setor, mas obviamente que as indústrias não têm qualquer sensibilidade em relação a essa matéria, quando se fala do preço do leite”, salientou.

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