“Setor vitivinícola enfrenta crise em todo o País”. CAP exige apoios para todas as regiões produtoras de vinho e não apenas o Douro
A Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) considera insuficientes as medidas de apoio anunciadas para a Região Demarcada do Douro e defende que a resposta à crise do setor vitivinícola deve abranger todas as regiões produtoras do país. A organização reclama também uma fiscalização mais apertada à entrada de vinho espanhol a granel, que diz estar a pressionar os preços pagos aos produtores portugueses.
Num comunicado divulgado esta quinta-feira, 10 de setembro, a CAP afirma que os apoios destinados ao Douro são de saudar, mas avisa que a sua concentração numa única região poderá criar “uma situação de injustiça e de distorção do mercado”. Para a confederação, as dificuldades sentidas pelos produtores não são exclusivas do Douro e exigem uma resposta de âmbito nacional.
“A solidariedade com o Douro é inequívoca. Saudamos as medidas anunciadas pelo Governo. O que a CAP não aceita é que essa solidariedade se traduza num esquecimento dos produtores das outras regiões”, afirma o secretário-geral da organização, Luís Mira. “Num contexto adverso que a todos afeta, a resposta pública tem de ser justa, coerente e nacional”, acrescenta, frisando: “O Douro deve ser apoiado e tem problemas específicos, mas não podemos esquecer que é todo o setor vitivinícola que enfrenta uma crise em todo o país”.
A CAP fala num mercado sob forte pressão, apontando a quebra do consumo, a redução das exportações em vários destinos e o aumento dos custos de produção como alguns dos principais problemas que atravessam o setor.
Além disso, a confederação aponta concretamente as importações de vinho espanhol a granel como um fator de agravamento das dificuldades. Segundo a CAP, a entrada de grandes quantidades de vinho proveniente de Espanha, a preços muito baixos, está a agravar a pressão sobre a produção nacional, e denuncia que parte desse vinho chega ao mercado português “sem certificação de origem, muitas vezes sem fiscalização nem controlo”. A CAP sustenta que esta situação, que classifica como irregular, “custa aos produtores portugueses dezenas de milhões de euros por ano”.
“A CAP não questiona a livre circulação de mercadorias, nem a importação legal e conforme aos regulamentos em vigor”, afirma. O que exige ao Estado é “rastreabilidade integral, uma fiscalização e um controlo efetivos” e informação clara sobre a origem do vinho vendido aos consumidores.
A CAP usa ainda o exemplo espanhol, lembrando que os apoios atribuídos pelo Governo espanhol aos seus produtores para fatores de produção como energia, combustíveis e fertilizantes são “mais de 30 vezes superiores” aos que o Governo português concede aos agricultores nacionais, o que, considera a organização, está a agravar o desequilíbrio de competitividade entre os dois países.
“Se a situação já é má agora, no futuro próximo será catastrófica”, alerta a CAP, defendendo que o aumento do diferencial de preços tornará ainda mais difícil a concorrência da produção portuguesa. “E hoje não conseguimos já competir com Espanha”.
A promoção externa surge também como uma das prioridades defendidas pela confederação. A CAP pede ao Governo um reforço “significativo” das verbas destinadas à promoção dos vinhos portugueses nos mercados internacionais, defendendo que alguns acordos comerciais podem ser aproveitados para acelerar as exportações e reduzir os stocks acumulados.

