Os preços do aluguer de automóveis no país continuam em queda, refletindo o excesso de oferta no mercado, o aumento da concorrência e o arrefecimento da procura. A notícia é positiva para os consumidores, que veem a fatura baixar na hora de alugar um carro, mas, do lado das empresas tem feito soar os alarmes. O cenário tem-se agravado ao longo dos últimos três anos e, depois de em 2024 as tarifas terem registado uma quebra de cerca de 30%, o setor das rent-a-car não conseguiu recuperar em 2025. “Os preços em 2025 continuaram em linha com os do ano anterior. Há mais empresas no setor, a frota cresceu e a procura não foi suficiente para a oferta disponível”, explica ao DN o secretário-geral da Associação dos Industriais de Aluguer de Automóveis sem Condutor (ARAC), Joaquim Robalo de Almeida.Apesar de as receitas terem subido 8% nos últimos 12 meses, para os 1,3 milhões de euros, a rentabilidade dos operadores foi beliscada pelo aumento dos custos operacionais que não se refletiram nos preços praticados, impactando a margem operacional e ameaçando a sustentabilidade económica do negócio. O principal constrangimento assenta no crescente número de veículos que entram no mercado. Em 2025, a frota média das empresas de aluguer cresceu 12,5% atingindo as 108 mil viaturas ligeiras de passageiros. No total, as empresas compraram 63 mil veículos ligeiros de passageiros e cerca de sete mil veículos ligeiros de mercadorias. O responsável da ARAC antecipa que a concorrência continuará a ser pujante em 2026 e admite que o quadro gera tensão na atividade. “O número de empresas continuará a crescer este ano, certamente, e há empresas multinacionais que poderão chegar ao nosso país. Este é um cenário que causa alguma preocupação. Se houver excesso de frota, não é bom para o setor. O ideal seria que a frota estivesse ajustada à procura”, aponta Joaquim Robalo de Almeida.No que respeita ao perfil do cliente, os turistas continuam a representar o principal segmento de negócio das rent-a-car com um peso de 60% na operação global. Embora a atividade turística continue a bater recordes no país, estimando-se que atinja os 30 mil milhões de receitas em 2025, a verdade é que os visitantes que chegam a Portugal estão a refrear os gastos em serviços secundários. “As famílias apresentam cada vez mais um montante limitado para o lazer. Quando vão de férias, há serviços prioritários e nos quais têm de alocar o orçamento como o alojamento e a alimentação e acabam, depois, por cortar noutros serviços como aluguer de carros, a animação e as atrações”, justifica. Olhando para as nacionalidades, os norte-americanos lideram os alugueres de automóveis. “Têm mais dinheiro e alugam carros melhores e mais carros”, explica Joaquim Robalo de Almeida. Os franceses, os italianos e os alemães também se destacaram no ranking dos mercados que registaram a melhor performance. Apesar dos desafios, o secretário-geral afiança que o setor apresenta uma saúde financeira globalmente equilibrada e sublinha a capacidade de adaptação a contextos externos adversos. “A pressão sobre as margens, em 2025, não se traduziu, de forma generalizada, em fragilidade financeira sistémica, mas antes numa maior seletividade dos investimentos, numa gestão mais exigente do risco e numa diferenciação crescente entre operadores em função da sua eficiência e posicionamento”, aponta..Preços mantêm-se nos níveis mais baixos dos últimos anos .As perspetivas para o ano que agora inicia são feitas de cautela. As tarifas deverão continuar a firmar-se nos níveis mais baixos dos últimos anos. “Não há evidência robusta de uma inversão estrutural do ciclo de preços, no sentido de uma recuperação generalizada das tarifas para níveis anteriores ao ajustamento observado em 2024. Pelo contrário, iremos continuar a assistir à pressão concorrencial sobre os preços e a ajustamentos tarifários pontuais. Adicionalmente, o setor permanecerá sujeito a fatores estruturais de pressão sobre custos e investimento”, enumera o representante do setor. Joaquim Robalo de Almeida destaca ainda que o setor se encontra sujeito a exigências crescentes de investimento, designadamente nos domínios da eletrificação da frota, da digitalização e automatização de processos, da segurança e gestão de dados e do cumprimento de um enquadramento regulatório “progressivamente mais complexo”. Por fim, refere que o reforço da concorrência, a aquisição de um número acrescido de viaturas e a pressão descendente sobre os preços médios, em resultado de excesso de oferta em determinados períodos irá “colocar desafios relevantes à sustentabilidade económica, sobretudo num contexto de custos estruturais persistentemente elevados”. .Restauração teve ano negro. Quebra de 20% no Natal e revéillon agrava encerramentos