Os preços das rendas de casa, férias em pacote, relógios e jóias, da carne, do café e dos restaurantes destacam-se, no cabaz de bens do consumo das famílias adotado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) para medir a inflação, como os que mais se agravaram desde 2022, quando começou a crise inflacionista (na sequência da guerra da Rússia contra a Ucrânia), até ao final do ano passado.Mas com uma agravante: em 2025, num quadro geral que aponta para um certo alívio na inflação geral nacional (foi 2,4% em 2024 e desceu ligeiramente para uma média de 2,3% no ano passado), o custo aqueles itens de consumo (e outros importantes para as famílias) continuou a subir de forma significativa, mostram cálculos do DN a partir dos dados oficiais do INE, divulgados esta terça-feira.São os grandes campeões da crise inflacionista em Portugal, com crescimentos notáveis e imparáveis na ordem dos dois dígitos nos últimos quatro anos.O Índice de Preços no Consumidor (IPC) total nacional, a inflação geral, que mede o curso do custo de vida das famílias quando vão às compras e pagam vários serviços, registou um agravamento de quase 20% face a 2022, o primeiro ano da crise inflacionista. Em 2025, a subida continuou, mas foi de apenas 2,3%, um valor praticamente em linha com o ritmo de 2%, que é a referência desejada a nível europeu e perseguido pelo BCE.Mas, olhando com detalhe para o cabaz do consumo, o preço das "rendas efetivas pagas pela habitação", uma das rubricas mais importantes para muitas famílias no contexto atual de falta de oferta de casas e da transformação destas em ativos de investimento de alta rentabilidade, aumentou 21% desde 2022 inclusive e no ano passado o mercado não desarmou, registando um agravamento superior a 5% face a 2024, indicam os dados do INE.O custo das "férias organizadas", em pacote, é o item do cabaz normalizado de consumo que vence em toda a linha. Lidera o agravamento na inflação desde 2022 (aumento de 63% até 2025) e consolida a posição em 2025 com uma subida superior a 14%.Os economistas costumam dizer que não há uma taxa de inflação, há inúmeras, porque cada pessoa ou família tem o seu perfil de consumo. Por exemplo, os mais ricos tendem a consignar uma proporção muito menor do seu rendimento a bens essenciais (como comida e energia). O mais pobres, pelo contrário.Entre os bens que mais sentiram o peso da crise inflacionista encontramos ainda a dupla "joalharia e relógios". O seu custo médio aumentou quase 30% desde 2022 e no ano passado surge como o segundo item que mais encareceu, registando um aumento anual de 11%.Nos bens essenciais, carne e peixe ganham, sem sombra de dúvidas.O preço da carne subiu quase 40% desde 2022 e em 2025 reforçou esse estatuto com um aumento superior a 7%.O conjunto "peixe, crustáceos e moluscos" está 27% mais caro do que em 2022 e no ano passado consolidou a sua posição com um aumento de 6%.Menos essenciais, mas importantes na preferência da população, surgem o café e os produtos feitos com açúcar (como bolos).O conjunto "café, chá e cacau", onde o café é rei e senhor, aumentou de preço em 35% nos últimos quatro anos e em 2025 continua a liderar com uma inflação anual superior a 9%.O custo de "açúcar, confeitaria, mel e outros produtos à base de açúcar" estando hoje 37% mais caros do que há quatro anos e no ano passado somaram um novo agravamento de quase 6%.Atualmente, somam-se lamentos e muitas críticas à fiscalidade pelo facto de a restauração ter entrado em crise, com muitos estabelecimentos a fechar.Aqui, os dados do INE mostram que os preços são pouco convidativos: o custo subjacente à rubrica "restaurantes, cafés e estabelecimentos similares" subir mais de 30% desde 2022; no ano passado, a respetiva inflação superou 6%.Outro item de grande peso no consumo é a energia. Aqui, no caso dos combustíveis líquidos para transporte (gasolinas, gasóleos), o encargo acumulado desde 2022 vai em quase 10%, mas, diz o INE, aliviou 0,2% em 2025 face a 2024.No gás (para aquecimento doméstico, cozinhas, esquentadores, etc.), o aumento de preços chega a 40% face a 2022; mais 2,3% no ano passado.O que está mais baratoMas, como referido, a inflação geral portuguesa até aliviou ligeiramente em 2025. Eis alguns dos responsáveis.Telemóveis: o custo destes equipamentos caiu mais de 12% desde 2022, tendo reforçado a tendência no ano passado com uma quebra de 25%, a maior da lista do INE.As bicicletas e os equipamentos para desporto, campismo e atividades ao ar livre também estão mais em conta. Desde 2022, os preços respetivos aliviaram 5% e 16%. Em 2025, a desvalorização prosseguiu com menos 10% e 24%, respetivamente.O INE observa que "em 2025, o Índice de Preços no Consumidor (IPC) registou uma variação média anual de 2,3%, taxa inferior em 0,1 p.p. (pontos percentuais) à registada no conjunto do ano 2024".E acrescenta que "excluindo a energia e os bens alimentares não transformados", a inflação média geral até aliviou mais: foi 2,2% no ano passado, abaixo dos 2,5% do ano anterior."A taxa de variação homóloga do IPC total evidenciou uma tendência de estabilização ao longo do ano de 2025, observando-se valores muito próximos para a variação média nos dois semestres do ano: 2,4% no primeiro semestre e 2,2% no segundo", refere o INE..Taxa de inflação baixa para 2,3% em 2025