Novo anúncio de tarifas comerciais, nova derrocada nas bolsas. O setor automóvel e o luxo estiveram no centro das atenções, em virtude das novidades que surgiram no fim de semana, no tema da Gronelândia.Donald Trump voltou a empurrar os principais índices europeus para o 'vermelho'. Os receios foram particularmente notórios nas praças que correspondem às maiores economias do continente e dizem respeito a desvalorizações que correspondem a milhares de milhões de euros.Desde o 'Dia da Libertação', assinalado pelo presidente dos Estados Unidos a 2 de abril de 2025, há um padrão comum, a respeito dos mercados, no contexto da guerra comercial. Quando Trump avança com novas tarifas alfandegárias, provoca uma uma reação intempestiva entre os investidores. Foi o caso naquela data, com os mercados em forte perda por todo o mundo. A situação repetiu-se em mais algumas ocasiões desde então, ainda que com menor intensidade. Esta segunda-feira, 19 de janeiro, é o caso mais recente.Na origem está a intenção de anexar a Gronelândia aos EUA. No sábado, o próprio anunciou que vai aplicar tarifas de 10% sobre as importações que chegam de países aliados do território (que pertence à Dinamarca, dispondo de alguma autonomia) que se opõem àquele objetivo. São os casos da Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Países Baixos e Finlândia..Trump impõe tarifas a oito países europeus que rejeitam controlo dos EUA sobre a Gronelândia.Já esta segunda-feira, foi conhecida a reação dos mercados europeus, que foi fortemente negativa. A este respeito, importa assinalar que a bolsa de Wall Street esteve encerrada, em virtude do feriado dedicado a Martin Luther King.O setor automóvel surge entre os mais castigados, visto que tem nas exportações para os EUA uma parte importante dos respetivos negócios. Prova disto é que o índice Stoxx 600 Automobiles & Parts, que inclui empresas europeias da indústria automóvel e outras relacionadas (como pneus e tecnologia para carros), recuou 1,58%. Ainda assim, os principais nomes da indústria registaram perdas substancialmente maiores.Em termos absolutos, entre as quatro cotadas europeias da indústria automóvel que integram o Euro Stoxx 50 (índice do qual fazem parte as 50 empresas europeias com maior volume de capital público), as perdas ascendem a 5.000 milhões de euros, só na segunda-feira. São os casos da BMW, Mercedes Benz, Volkswagen e Stellantis. Estas são as quatro que contam com maior exposição na bolsa, ou seja, maior capital em negociação.As construtoras alemãs lideraram as perdas relativas, com quedas de 3,73% na Porsche, 3,43% na BMW e 2,76% no grupo Volkswagen. Em simultâneo, a italiana Ferrari caiu 2,53% e a francesa Renault desvalorizou 2,14%.O grupo Stellantis, cotado nas bolsas de Milão e Paris (mas com maior preponderância na primeira) moveu um volume de ações muito maior do que qualquer uma das cotadas mencionadas acima. Ainda assim, a desvalorização não foi tão longe, na ordem de 1,96%.Outro setor fortemente condicionado foi o luxo. O índice STOXX Europe Luxury 10 tombou 3%. Este é um barómetro particularmente fiável, já que inclui as 10 maiores empresas europeias neste capítulo (Christian Dior, Burberry ou Hermes International, por exemplo, ainda que também inclua a já mencionada Ferrari).Na bolsa de Paris, observou-se grande parte do sentimento negativo. A Louis Vuitton e a Kering caíram mais de 4%, seguidas pela Hermes, que descapitalizou perto de 3,50%, na primeira sessão da semana.Negócio das armas reage em altaApesar de muitas quedas fortes, nem tudo foi mau. A incerteza geopolítica lançada por Donald Trump gerou, uma vez mais, ânimo entre as cotadas ligadas à defesa..Berlim coordenará com parceiros da UE reação a sobretaxas de Trump por causa da Gronelândia.As bolsas têm vindo a mostrar tendência para registar valorizações no setor europeu de Defesa quando as suspeitas de conflitos aumentam. Foi assim no ano de 2025, cujo brilho esteve ligado a outras questões, desde logo a guerra no leste europeu e os recuos dos EUA sobre os acordos da NATO, a par do aumento de despesa europeia no setor, prometido por todos os outros Estados-membros.Ainda que o dia não se compare às melhores sessões de 2025, marcadas por subidas em larga escala, houve ganhos muito significativos, fruto da tensão entre norte-americanos e europeus. Destaque para a alemã Rheinmetall, que ganhou 0,95%. Simultaneamente, observaram-se subidas de 1,07% na francesa Thales e 2,76% na sueca Saab.Tudo indica que os mercados financeiros vão continuar a navegar à boleia das decisões e anúncios de Trump. Para já, certo é que o tema Gronelândia vai continuar na ordem do dia. Esta terça-feira, 20 de janeiro, vamos conhecer a primeira reação de Wall Street ao anúncio de tarifas..Gronelândia: FMI apela a solução amigável para evitar tarifas retaliatórias