Não chegou a meio o período de 60 dias de tréguas ou cessar-fogo previsto no memorando de entendimento assinado a 17 de junho, entre os EUA e o Irão, e o mundo volta a cair numa situação de total incerteza sobre o curso da paz no Médio Oriente, dos preços da energia e, ato contínuo, dos preços e das taxas de juro, quando ainda faltam menos de seis meses para terminar o ano. O colapso do cessar-fogo, formalmente anunciado por Donald Trump, o presidente norte-americano, na semana passada (8 de julho), voltou a colocar o Estreito de Ormuz no centro da crise geopolítica global.Foram reatados ataques a navios comerciais, o tráfego marítimo no Golfo Pérsico voltou a cair a pique e a maioria dos peritos (muitos investidores também) temem o regresso de uma nova vaga no choque petrolífero, que foi inicialmente desencadeado com o ataque dos EUA e de Israel ao Irão no dia 28 de fevereiro passado.Voltaram as manobras e os ataques militares, que assim mantêm os mercados energéticos em alerta. Muitos observadores receiam que isto seja um segundo ato, algo que aponta para um conflito prolongado, e vão alertando para o risco de novos aumentos nos preços de petróleo, gás e outras matérias primas vitais, como os fertilizantes.O Estreito de Ormuz é um ponto vital; por aqui passa uma parte significativa do petróleo mundial (20% do comércio) e do gás natural liquefeito.Quase um mês depois da assinatura de um memorando de entendimento entre Washington e Teerão, a 17 de junho, a trégua encontra-se novamente sob forte pressão, após uma nova série de ataques a embarcações e de ações militares na região.O acordo previa a cessação das hostilidades e a reabertura da rota marítima, bem como um período de 60 dias para negociar uma solução mais abrangente para questões como a navegação no Golfo, as sanções económicas e o programa nuclear iraniano. O aumento da hostilidade entre as partes levanta dúvidas sobre a viabilidade de uma solução diplomática.Kenneth Katzman, um analista do Soufan Center, um centro de estudos especializado em questões do Médio Oriente, diz num blog que existe "uma divisão no seio da liderança iraniana quanto ao rumo a seguir": a Guarda Revolucionária defende uma estratégia mais agressiva em torno do controlo do estreito, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, procura reativar canais de diálogo com os Estados Unidos e a Casa Branca.Segundo o analista, os sectores mais radicais encaram Ormuz como um instrumento de pressão geopolítica capaz de influenciar o equilíbrio de forças na região. Muitos radicais nos EUA acompanham este desejo de tensão.Vários analistas do sector energético estão a reagir ao crescendo nas hostilidades desde o passado dia 8 e sublinham que não é necessário um bloqueio total para provocar aumentos nos preços, uma nova edição do choque petrolífero.A simples ameaça de acontecer uma nova interrupção relevante do tráfego marítimo eleva os custos dos seguros, do transporte e do abastecimento global de energia, por exemplo, e qualquer ataque a navios petroleiros e mercantes ou um maior endurecimento da posição de Teerão, como se aventa, já, poderá desencadear novas oscilações nos mercados.