O Barómetro Anual do Consumo 2025, divulgado esta terça-feira, 6 de janeiro, pelo Portal da Queixa, revela que os consumidores em Portugal apresentaram um total de 238.698 reclamações durante o ano passado. Este valor estabelece um novo máximo histórico para a plataforma e representa um crescimento de 6,44% face às ocorrências registadas em 2024. Segundo o relatório, enviado ao DN, este aumento é o reflexo de uma dupla realidade: por um lado, as "fragilidades persistentes na qualidade dos serviços" e, por outro, "um consumidor mais literado e ativo na defesa dos seus direitos".O setor de Correio, Transporte e Logística posicionou-se como o mais problemático em 2025, concentrando 13,59% do volume total de queixas. O mês de dezembro registou uma anomalia estatística ao concentrar mais de 11% das reclamações de todo o ano, um fenómeno explicado pela incapacidade das operadoras de responder ao pico de encomendas do comércio eletrónico. Transportadoras como os CTT, CTT Expresso, GLS e Paack estiveram sob forte escrutínio, com esta última a destacar-se negativamente pelo volume de entregas falhadas.Nas telecomunicações, o crescimento de queixas foi de 34,29%, impulsionado em grande parte pela entrada da Digi Portugal no mercado, cujos problemas de instalação e falhas técnicas iniciais geraram um volume significativo de exposições. Paralelamente, marcas como MEO, NOS e Vodafone continuaram a ser visadas devido a questões relacionadas com fidelizações e aumentos de preços. No setor público, o IHRU (Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana) surpreendeu ao tornar-se a quarta marca mais reclamada do país, refletindo as dificuldades dos cidadãos no acesso a apoios à habitação.Em termos demográficos, 2025 marcou uma mudança histórica, com as mulheres a ultrapassarem os homens no volume de reclamações, representando 50,09% do total. A análise dos motivos revela que a má qualidade do serviço e as falhas na entrega são os principais pontos de fricção, representando, em conjunto, mais de 31% de todas as queixas. Para Pedro Lourenço, fundador do Portal da Queixa, estes dados demonstram que reclamar passou a ser uma extensão natural da escolha de consumo e uma forma consciente de influenciar o mercado através da reputação partilhada online, segundo o comunicado que acompanha o relatório.