Mais uma semana que ameaça ficar marcada por um disparo nos preços do petróleo. Mais cedo ou mais tarde, este vai pesar nas carteiras dos portugueses.O novo aumento da tensão entre EUA e Irão, com Donald Trump a exigir uma portagem no estreito de Ormuz, provocou uma subida agressiva no preço do petróleo bruto, nos dois primeiros dias desta semana.Nesta terça-feira, 14 de julho, as negociações o Brent (referência europeia para o efeito) subia 1,72% face ao início da sessão, pelas 17h42 horas. É que o barril estava a ser negociado nos 84,73 dólares, depois de alcançar o nível mais alto desde meados de junho, durante o dia (esteve acima dos 87 dólares).Em causa está um disparo de 12,6% desde o fecho da semana passada (na sexta-feira), que se ficou pelos 75,22 dólares por barril, de acordo com a plataforma Investing.com, especializada na matéria. Face às negociações de dia 2 de julho, quando se registaram os preços mais baixos desde o início da guerra, está em causa um disparo de 20,8%.O que está a provocar a subida?Na origem está a nova escalada de tensões entre os EUA e o Irão, cujo conflito guia os mercados financeiros desde o início de março.Desde domingo, o cessar-fogo temporário estabelecido entre os dois países torna-se cada vez menos visível no terreno. Esta terça-feira foi o terceiro dia consecutivo em que as hostilidades se mostraram em força.O Irão anunciou o fecho do estreito de Ormuz durante o fim de semana, tendo prometido atacar qualquer navio não aliado que tente atravessar a região. Seguiu-se a garantia do presidente dos EUA, Donald Trump, de que o tráfego estaria normalizado, exceção feita aos navios iranianos, que serão bloqueados pelas forças norte-americanas... e exigiu uma compensação para tal.Foi na segunda-feira que o próprio colocou números nesta afirmação. Trump anunciou uma portagem de 20% sobre toda a mercadoria que passa pelo estreito de Ormuz. Em causa estaria o petróleo e outros bens que por ali circulam. O objetivo passa por pagar escoltas militares que permitam a segurança das embarcações e o efeito imediato seria a subida dos preços.Esta não seria a primeira vez que uma tarifa seria aplicada pela passagem de embarcações em canais essenciais ao comércio global, visto que já acontece no Canal do Suez e no Canal do Panamá, mas sob moldes totalmente diferentes. É que, naqueles dois casos, estão em causa custos com infraestrutura indispensável à passagem dos barcos. Em Ormuz, tal não existe, pelo que nunca se aplicaram tarifas.Ainda assim, Trump acabaria por substituir a medida pelo anúncio de "acordos de comércio e investimento que os diferentes Estados do Golfo celebrarão com os EUA", conforme escreveu na rede social Truth Social, durante a tarde de terça-feira.Posto isto, o preço do petróleo bruto subiu de forma intensa sobretudo na segunda-feira e não tanto na terça-feira, com o ritmo a abrandar ainda mais após Trump comunicar a mudança de planos.Recorde-se que a subida dos preços do petróleo gera aumentos nos preços dos combustíveis. Estes, por sua vez, impactam as economias em larga escala. É que os produtos que dependem da produção e/ou transporte com recurso a produtos petrolíferos ficam mais caros à medida que sobem os preços do petróleo.Efeitos nos mercados de capitaisEntre os índices de referência das principais bolsas europeias, a sessão até começou negativa, mas acabaria por terminar a sessão de terça-feira com ligeiros ganhos. A título de exemplo, o índice Euro Stoxx 600 avançou 0,14%, em linha com a tendência geral.O setor petrolífero ficou entre os que mais beneficiaram do encarecimento do petróleo. Prova disto é que o Euro Stoxx 600 Oil & Gas, que envolve as maiores operadoras europeias do setor, subiu 2,22% e alcançou máximos precisamente de meados de junho.A fechar o dia, cotadas como a Repsol, a TotalEnergies e a Equinor (nas bolsas espanhola, francesa e norueguesa, respetivamente) subiram mais de 1%. O mesmo aconteceu com as britânicas BP e Tullow Oil, que se adiantaram quase 2%.Em contrapartida, a portuguesa Galp negociou em contraciclo, ao desvalorizar 2,22%..Trump afinal já não vai aplicar portagem de 20% aos navios no estreito de Ormuz.Trump diz que os EUA vão tornar-se os "guardiões" do Estreito de Ormuz.EUA concluem novos ataques e insistem que Teerão não controla estreito de Ormuz