Pedro Nuno Santos: "A ANA tem de se despachar com os prazos do novo aeroporto"
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Pedro Nuno Santos: "A ANA tem de se despachar com os prazos do novo aeroporto"

O secretário-geral do PS defende que a concessionária tem de antecipar os timings contratuais e pediu ao CEO da gestora dos aeroportos que o calendário não seja explorado "até ao limite".
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Foram mais de cinco décadas de discussão para chegar a um consenso sobre a localização do novo aeroporto da região de Lisboa. Depois da decisão tomada e de o Executivo de Luís Montenegro ter dado luz verde a Alcochete, importa agora acelerar os prazos para a construção da futura infraestrutura, defende Pedro Nuno Santos.

"Temos de garantir que a empresa que tem a concessão dos nossos aeroportos se despacha, caso contrário nas próximas eleições estaremos outra vez a falar sobre o tema", apelou esta segunda-feira, 05, o secretário-geral do PS.

O líder socialista , que discursava num almoço-debate promovido pela Confederação do Turismo de Portugal (CTP), em Lisboa, com o objetivo de dar a conhecer aos agentes do Turismo as propostas do PS para as legislativas, sublinhou que "há ainda muito trabalho para fazer".

Dirigindo-se ao CEO da concessionária gerida pela francesa Vinci, Thierry Ligonnière, que também marcou presença no evento, Pedro Nuno Santos defendeu ser imperativo atalhar o calendário.

"Temos de garantir que a ANA não explora os prazos contratuais até ao limite e temos de conseguir, em conjunto, que seja possível antecipá-los de forma significativa", defendeu.

Já o presidente da CTP  lamentou que se tenha "passado mais um ano e nada tenha acontecido" nesta matéria, reiterando o ceticismo quanto aos prazos. "Não acredito que tenhamos um aeroporto em 12 anos", reforçou.

Francisco Calheiros lamentou ainda que a polémica decisão de Pedro Nuno Santos, de 2022, de avançar com o Montijo como solução complementar em quatro anos e de ter Alcochete a funcionar como aeroporto principal até 2035 tenha caído por terra.

"Eu acho que a sua decisão era a correta. Continua a ser a nossa opinião, que era também a sua", relembrou Calheiros.

Em resposta, o cabeça de lista do PS às eleições do próximo dia 18 de maio retorquiu que este é um cenário "irrecuperável e ultrapassado".

"Tínhamos, de facto, tudo estruturado, era uma ideia com sentido e com um calendário, mas não foi esse o caminho que foi seguido. É um barco que já partiu", indicou.

"Ainda assim, se tudo tivesse corrido de acordo e conforme os prazos, estaríamos a receber mais aviões e mais passageiros já em 2025. Se a decisão tivesse sido concretizada na altura, depois com tempo e segurança faríamos a preparação para uma infraestrutura de maior dimensão", acrescentou ainda

"Estado deve ter a maioria do capital da TAP"

Já sobre o dossiê da privatização da TAP, o líder socialista reafirmou, sem surpresas, que o Estado deve ser o principal acionista da transportadora aérea. " O Estado deve ter a maioria do capital da TAP. A minha posição é a mesma desde há muito tempo e é nesse quadro que  vamos querer caminhar. Devemos abrir o capital ao investimento estrangeiro, nomeadamente de outros grupos da indústria. Na altura [em que era ministro e tutelava a empresa pública] havia vários grupos de aviação que estavam disponíveis para entrar na TAP com com uma participação minoritária", assegurou.

Pedro Nuno Santos recordou que a Air France/KLM, a Lufthansa e a IAG estão disponíveis para comprar uma fatia da operadora "sem ter o controle da companhia". "E esta é a melhor opção. Precisamos da TAP a voar a partir de Lisboa, é aqui que está o seu hub, mas obviamente que precisamos de uma TAP a olhar para a Madeira, para o Algarve e para o Porto. E nunca olhará da mesma maneira se a maioria do capital desta companhia for privado", garantiu.

Na sua intervenção destacou ainda os resultados positivos da empresa gerida Luís Rodrigues nos últimos três anos, depois de uma longa jornada de prejuízos. "A gestão pública está neste momento a garantir que a TAP é rentável e que dá lucro.  Dito isto, isso não significa, antes pelo contrário, que no contexto hoje vivemos no mundo que TAP não deva estar sozinha. A TAP não deve estar sozinha", ressalvou.

"Aquilo que eu sempre defendi, quando na altura também era ministro, era que se abrisse o capital da companhia aérea para permitir a sua integração com outros grupos de aviação. Não era com investidores financeiros, mas sim com grupos de aviação e da indústria. Porque isso, obviamente, iria permitir sinergias; a TAP tinha um potencial extraordinário que a trabalhar com outros grupos europeus e podia ser privilegiada porque nós conseguimos voar, apesar de tudo, de forma mais barata do que outros grupos na Europa e seríamos nós a companhia aérea que permitiria a ligação ao Atlântico", justificou.

Ferrovia pode aliviar aeroportos e impulsionar crescimento turístico

Ainda com as infraestruturas e a mobilidade como pano de fundo, e face aos constrangimentos de capacidade do aeroporto Humberto Delgado, Francisco Calheiros lamentou igualmente os atrasos na ferrovia. "Se tivéssemos uma ligação direta entre Porto e Madrid poderíamos prescindir de mais de 40 voos no nosso aeroporto de Lisboa e isso era extremamente importante para a dinamização do nosso turismo", elucidou.

Pedro Nuno Santos vincou que as acessibilidades ferroviárias são também fundamentais para distribuir os turistas pelo território nacional, aumentando o seu tempo de permanência no país.

"A ferrovia é um meio de transporte de futuro e não do passado. Temos de olhar para a ferrovia não apenas como um meio de transporte para as populações, para trabalhar, para regressarem às suas terras, para se deslocarem para a escola ou para o trabalho, mas também como um meio de transporte turístico", concretizou, sustentando que o comboio pode ser um produto turístico de grande valor.

"Vemos em vários países da Europa linhas de caminho de ferro exploradas com objetivos turísticos e que são um produto de grande valor acrescentado. Há aqui um trabalho a fazer, e refiro-me às questões que são da responsabilidade do Estado, em diálogo obviamente com o setor, mas nas quais o Estado pode dar um contributo para que o setor de turismo possa continuar a florescer em Portugal", rematou.

Direita a chumbar um Governo do PS? "Era só o que faltava"

"Não ligando demasiado a sondagens, mas atendendo a algumas, parece que a única certeza que temos é que irá haver mais votos dos partidos de centro-direita que dos de esquerda. Nesse sentido, se o senhor for o vencedor das eleições e portanto nomeado para primeiro-ministro, é provável que a direita chumbe o seu governo", disse Francisco Calheiros a Pedro Nuno Santos.

O presidente da CTP questionava o líder socialista sobre as eventuais garantias de estabilidade nos possíveis cenários políticos que resultem do desfecho das eleições.

 "Se o PS ganhar as eleições, a direita  chumba um programa de Governo? Era só o que faltava, era só o que faltava", respondeu Pedro Nuno Santos.

Para o socialista esta hipótese "é impensável". "Não é um favor ao PS, é simplesmente respeitar o país", defendeu. Em resposta ao representante dos patões do Turismo, recordou que o PS "deu todas as condições de governabilidade à AD, deu estabilidade política ao país" e, por isso mesmo, espera a mesma moeda de troca se sai vitorioso das legislativas.

"O PS chumbou a moção de rejeição do PCP sobre do programa de Governo da AD, viabilizámos a eleição do Presidente da Assembleia da República, viabilizámos o Orçamento do Estado. Chumbamos duas moções de censura" enumerou.

"Temos de exigir que seja garantida a estabilidade política e a reciprocidade ao PS", afirmou, deixando farpas ao atual primeiro-ministro. Para o socialista "há dois meses" que Luís Montenegro se assume "como a principal fonte de instabilidade política" do país.

"Se é a direita que tem maioria, se é a esquerda que tem maioria, eu não  sei.  Se há coisa que aprendi com a minha experiência direta, mas também com o acompanhar de outros atos eleitorais, é que as sondagens dizem-nos pouco", relativizou.

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