Empresa sofreu um dos maiores ataques informáticos de sempre
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O que aconteceu e quem está por trás do ataque multimilionário à Binance?

Firmas de análise apontam o dedo à Coreia do Norte. CEO da empresa garante que não há clientes afetados.
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O ataque à gigante das criptomoedas Binance acordou esta sexta-feira o mundo financeiro pela pura dimensão dos valores envolvidos. Em cerca de 20 minutos, um ataque informático retirou cerca de 5,6 mil milhões de euros em ativos de utilizadores da empresa, um dos maiores do género da história.

O que aconteceu?

À Reuters, a TRM Labs, empresa de análise de blockchain (tecnologia na base das criptomoedas), referiu que os ciberatacantes terão comprometido a infraestrutura de assinatura da plataforma, extraindo o dinheiro da "carteira quente" da própria aplicação, ou seja, a carteira de criptomoedas ligada à internet usada pela plataforma para processar transações.

Na rede social X, o CEO da Binance, Richard Teng, garantiu que os fundos extraídos não são de clientes, algo que faz com que nenhum cliente tenha sofrido o impacto do ataque informático.

"Os ativos dos utilizadores são mantidos ao abrigo da arquitetura de segurança estabelecida pela Binance. A grande maioria encontra-se em carteiras frias [desligadas da internet] e só é transferida para uma carteira quente quando um utilizador efetua um levantamento", explicou.

O CEO garantiu que esta operação envolveu mais que uma pessoa e que se tratou de um "ataque complexo", ao contrário do que parecia ao início.

"A nossa investigação inicial sugeriu que o incidente de segurança poderia ter envolvido um computador portátil comprometido. No entanto, a nossa investigação subsequente revelou pontos adicionais de violação", explicou Teng, acrescentando que "o atacante também utilizou um mecanismo de autodestruição que destruía as ferramentas e os vestígios à medida que avançava, tornando mais difícil para nós rastrear e investigar".

Quem poderá estar por trás do ataque?

A Binance ainda não deu, até ao momento, qualquer indicação sobre quem está por trás do ciberataque. Porém, várias empresas do ecossistema das criptomoedas e da blockchain apontaram o dedo para hackers ligados à Coreia do Norte.

A TRM Labs, num post no blog do seu site, afirmou "com alta confiança" que o ataque tinha sido levado a cabo pela Trader Traitor, descrita como "a unidade de elite de ciberataques da Coreia do Norte". "Várias características deste ataque correspondem a assaltos anteriores associados à Coreia do Norte", escreveu a empresa na mesma publicação.

No mesmo sentido, a Chainalysis escreveu na rede social X que têm "um alto grau de confiança de que a Coreia do Norte é responsável" pelo ciberataque à Binance.

"Vivemos tempos sem precedentes. Mas a Coreia do Norte continua com os seus velhos truques", escreveu o CEO da empresa de análise no X.

É possível recuperar o que foi perdido?

Apesar dos esforços dos atacantes, cerca de metade dos bens furtados foram congelados por emissores das chamadas "stablecoin", um tipo de criptomoeda cujo valor está ligado à de uma moeda clássica, como o dólar ou o euro, ou a matérias-primas, como ou ouro.

A televisão norte-americana CNBC estima que o valor dos bens congelados esteja por volta dos 2,6 mil milhões de euros, perto de metade do que foi roubado.

"Em termos simples, o atacante pode não ter roubado a chave do cofre, mas sim ter sequestrado o sistema que dá a ordem ao cofre para libertar o dinheiro", afirmou Joshua Chu, um advogado especializado em criptomoedas, à Reuters.

À CNBC, Ari Redboard, diretor global da TRM Labs, indicou que a recuperação agora passará por "um processo legal", sendo que as autoridades podem obter mandados judiciais para que os emissores libertem os bens.

"As stablecoins são a classe de ativos mais recuperável no mundo das criptomoedas", afirmou.

Outras criptomoedas, como as bitcoins ou as tether, são mais difíceis de recuperar, pois são totalmente descentralizadas e não têm um emissor específico, levando-as a terem de ser procuradas através de trocas e outros serviços de criptomoeda, explica a CNBC,

"Não existe um prazo padrão para a recuperação. Um bloqueio técnico pode ocorrer rapidamente, enquanto a devolução dos fundos pode demorar meses ou anos", contou Eric Jardine, diretor de investigação da empresa de análise de blockchain Chainalysis à televisão norte-americana.

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