Durante anos, a indústria tecnológica vendeu-nos a ideia de que "mais é melhor". No entanto, o próximo passo lógico na definição na imagem – o 8K – parece ter batido numa parede intransponível de realidade física e económica.O sinal mais claro deste declínio surgiu recentemente com a decisão da LG de abandonar a produção de painéis 8K, marcando o fim de uma era de promessas que nunca chegaram a concretizar-se.A grande barreira para o sucesso do 8K não é apenas o preço, mas a própria biologia humana. Com cerca de 33 milhões de píxeis, uma televisão 8K oferece quatro vezes a densidade do 4K, mas em condições normais de visualização (sentado a dois ou três metros de um ecrã de 65 polegadas) a retina humana é simplesmente incapaz de distinguir o detalhe adicional. O 4K atingiu o sweet point da perceção: o limite onde a imagem é tão nítida que o acréscimo de resolução é impercetível, a menos que o utilizador se aproxime tanto do painel que a experiência se torne desconfortável.Essencialmente, o 8K só faria sentido em ecrãs tão colossais que a maioria das salas de estar não teria espaço para os acolher.Deserto de conteúdoMesmo que o olho humano visse a diferença, não haveria nada para ver. O mercado de conteúdos 8K é um deserto. Os serviços de streaming lutam para fornecer 4K de alta qualidade sem sobrecarregar a largura de banda, e transmitir em 8K exigiria velocidades de rede e custos de armazenamento astronómicos. Até Hollywood deu um passo atrás, dado que o 8K representa apenas uns residuais 0,1% do mercado total de televisores.Enquanto o 8K definha, o equilíbrio de poder na produção de hardware mudou drasticamente. Um dos movimentos mais significativos do sector foi a venda do segmento de televisores Bravia, da Sony, à chinesa TCL. Esta transição sublinha uma nova realidade: o domínio das fabricantes chinesas que, em vez de perseguirem a resolução a todo o custo, focam-se em novas tecnologias de painéis e na escala massiva de ecrãs gigantes (acima de 100 polegadas) que mantêm a resolução 4K.O futuro: precisão no brilho, cor e HDRA nova fronteira é agora a "qualidade dinâmica". A indústria investe hoje em tecnologias como Mini-LED e Micro-RGB, que permitem pretos mais profundos e brilhos intensos. Formatos como o Dolby Vision 2 e o HDR10+ Advanced tornam-se os novos padrões, garantindo que a imagem seja ajustada em tempo real conforme a luz da sala.Em suma, a saída da LG e a mudança estratégica da Sony confirmam que o 8K foi uma solução à procura de um problema inexistente. Para o utilizador comum, o futuro não será definido por quantos píxeis cabem no ecrã, mas sim pela beleza e realismo com que cada um deles brilha.