Maria da Graça Carvalho, ministra do Ambiente e da Energia. Caminha, 11 de março de 2026.
Maria da Graça Carvalho, ministra do Ambiente e da Energia. Caminha, 11 de março de 2026.Foto: HUGO DELGADO / LUSA

Ministra da Energia diz que maior preocupação é sobretudo com o diesel e o gás

AIE anunciou que os 32 países membros (um deles Portugal) podem libertar parte das suas "reservas" energéticas. Graça Carvalho considera que no caso de Portugal vai ser "pouco", "quase simbólico".
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Os preços dos combustíveis, mas sobretudo do gasóleo, e do gás natural são os que estão a causar maior stress e preocupação ao governo português, assim como a outros governos da OCDE e a instituições internacionais, como a Agência Internacional de Energia (AIE), fez saber a ministra da Energia portuguesa, Maria da Graça Carvalho, esta quarta-feira, numa conferência de imprensa no Porto.

"Atualmente, nós temos reservas de petróleo para 93 dias. No gás, temos para quatro semanas, portanto menos um período menor", referiu.

Segundo a ministra, "a Agência Internacional de Energia está essencialmente preocupada com o diesel porque é um produto refinado e as refinarias são muito naquela zona do Médio Oriente".

Portanto, "além dos problemas de transporte, há também da origem do petróleo e de onde é feita a refinação", explicou a ex-eurodeputada.

Além da vulnerabilidade no gasóleo, que Portugal e tantos outros países europeus não fabricam, têm de comprar lá fora, boa parte ao Médio Oriente, há a questão do gás.

Maria da Graça Carvalho explicou que Portugal convive com dois planos diferentes nesta questão, um mais favorável, outra nada bom, o que a faz estar apreensiva na mesma.

"Estamos muito preocupados com o preço do gás e felizmente que na produção de eletricidade, temos muito pouco gás [incorporado]. Ao longo dos anos fizemos um grande esforço nas renováveis". Só como exemplo, "nos primeiros dois meses temos que 83% da eletricidade veio das renováveis e ainda podemos aumentar isso", disse a ministra.

É o único lado bom das tempestades. Portugal "está a usar muito a energia de fontes hídricas, temos as barragens cheias".

No entanto, há o outro lado nada bom. "O gás é essencial para algumas das nossas indústrias, que são muito importantes. No nosso país, estamos a falar do sector do vidro, da cerâmica, parte do vestuário", exemplificou.

Esta quarta-feira, a Agência Internacional de Energia (AIE) anunciou que os 32 países membros (um deles é Portugal) decidiram de forma unânime que podem libertar uma parte das suas "reservas de emergência", que no conjunto da AIE é a maior de sempre", mas a ministra considera que no caso de Portugal (10% do total das reservas de energia fóssil) até é pouco. Disse mesmo que "é quase que simbólico do ponto de vista português", é sobretudo um ato de solidariedade e para mostrar união entre países perante a atual crise energética.

"Nós somos muito cautelosos com as reservas e seria sempre uma pequena parte das nossas reservas. O que nós acordámos a nível da Agência Internacional de Energia é que 10% das nossas reservas podem ser libertadas em conjunto com os outros países da OCDE para fazer face a grandes aumentos de do preço, mas não acordámos que íamos fazê-lo hoje ou durante esta semana", explicou a governante.

Mas com este acordo, "agora temos essa possibilidade, iremos coordenar também com os nossos colegas europeus da União Europeia para ver exatamente o que é que vamos fazer, mas será sempre uma pequena parte [no caso de Portugal]", reforçou a ministra.

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