Os preços dos combustíveis, mas sobretudo do gasóleo, e do gás natural são os que estão a causar maior stress e preocupação ao governo português, assim como a outros governos da OCDE e a instituições internacionais, como a Agência Internacional de Energia (AIE), fez saber a ministra da Energia portuguesa, Maria da Graça Carvalho, esta quarta-feira, numa conferência de imprensa no Porto."Atualmente, nós temos reservas de petróleo para 93 dias. No gás, temos para quatro semanas, portanto menos um período menor", referiu.Segundo a ministra, "a Agência Internacional de Energia está essencialmente preocupada com o diesel porque é um produto refinado e as refinarias são muito naquela zona do Médio Oriente".Portanto, "além dos problemas de transporte, há também da origem do petróleo e de onde é feita a refinação", explicou a ex-eurodeputada.Além da vulnerabilidade no gasóleo, que Portugal e tantos outros países europeus não fabricam, têm de comprar lá fora, boa parte ao Médio Oriente, há a questão do gás.Maria da Graça Carvalho explicou que Portugal convive com dois planos diferentes nesta questão, um mais favorável, outra nada bom, o que a faz estar apreensiva na mesma. "Estamos muito preocupados com o preço do gás e felizmente que na produção de eletricidade, temos muito pouco gás [incorporado]. Ao longo dos anos fizemos um grande esforço nas renováveis". Só como exemplo, "nos primeiros dois meses temos que 83% da eletricidade veio das renováveis e ainda podemos aumentar isso", disse a ministra.É o único lado bom das tempestades. Portugal "está a usar muito a energia de fontes hídricas, temos as barragens cheias".No entanto, há o outro lado nada bom. "O gás é essencial para algumas das nossas indústrias, que são muito importantes. No nosso país, estamos a falar do sector do vidro, da cerâmica, parte do vestuário", exemplificou.Esta quarta-feira, a Agência Internacional de Energia (AIE) anunciou que os 32 países membros (um deles é Portugal) decidiram de forma unânime que podem libertar uma parte das suas "reservas de emergência", que no conjunto da AIE é a maior de sempre", mas a ministra considera que no caso de Portugal (10% do total das reservas de energia fóssil) até é pouco. Disse mesmo que "é quase que simbólico do ponto de vista português", é sobretudo um ato de solidariedade e para mostrar união entre países perante a atual crise energética."Nós somos muito cautelosos com as reservas e seria sempre uma pequena parte das nossas reservas. O que nós acordámos a nível da Agência Internacional de Energia é que 10% das nossas reservas podem ser libertadas em conjunto com os outros países da OCDE para fazer face a grandes aumentos de do preço, mas não acordámos que íamos fazê-lo hoje ou durante esta semana", explicou a governante.Mas com este acordo, "agora temos essa possibilidade, iremos coordenar também com os nossos colegas europeus da União Europeia para ver exatamente o que é que vamos fazer, mas será sempre uma pequena parte [no caso de Portugal]", reforçou a ministra.