A Microsoft anunciou esta segunda-feira (26) o lançamento da segunda geração do seu chip de inteligência artificial (IA) personalizado, o Maia 200. Este é um passo estratégico de autonomia da tecnológica de Redmond e um ataque direto para tentar quebrar o domínio quase absoluto da Nvidia no mercado de hardware para IA, servindo também como resposta aos avanços da rival Google, que tem liderado o grupo de gigantes da cloud na criação de soluções internas de processamento.O Maia 200 é um chip de IA especificamente concebido para lidar com as exigências de modelos de linguagem de grande escala (LLM, na sigla inglesa). Segundo a Reuters, o componente começará a ser implementado esta semana num centro de dados da Microsoft no Iowa, com expansão prevista para o Arizona.Fabricado com tecnologia de 3 nanómetros pela TSMC, o chip destaca-se pela utilização massiva de memória SRAM. Esta arquitetura foi desenhada para acelerar a resposta de chatbots e sistemas de IA generativa, permitindo gerir um volume elevado de pedidos simultâneos de forma mais eficiente do que os processadores genéricos.A par do hardware, a Microsoft apresentou o Triton, uma ferramenta de software de código aberto desenvolvida em parceria com a OpenAI — a empresa criadora do ChatGPT. O Triton é visto como um ataque direto ao ecossistema Cuda da Nvidia. Atualmente, o Cuda é a maior barreira de entrada no setor, pois a maioria dos programadores de IA utiliza-o como padrão. Com o Triton, a Microsoft quer facilitar a transição para os seus próprios chips de IA.A competição com a Google (e a Meta)A Microsoft não é a única a tentar desalojar a Nvidia. A Google tem tido sucesso com as suas unidades de processamento tensorial (TPU), tendo inclusive atraído a Meta (dona do Facebook e Instagram) para colaborar no desenvolvimento de software que neutralize as vantagens da Nvidia. Ao lançar o Maia 200, a Microsoft posiciona-se para não perder terreno nesta corrida tripartida entre as maiores empresas de computação em nuvem do mundo.Com esta nova geração de chips de IA, a Microsoft tenta garantir que a sua infraestrutura Azure permanece competitiva, reduzindo custos de licenciamento e aumentando a velocidade de resposta dos seus serviços baseados em inteligência artificial.