O Investimento Direto Estrangeiro (IDE) é referido amiúde como uma das fontes cruciais para modernizar a economia portuguesa e torná-la mais produtiva e competitiva (exportadora), tecnológica, sustentável e de alto valor acrescentado.No entanto, os dados mostram que, num primeiro momento, surgem as chamadas transações imobiliárias puras, dimensão que reflete (entre outros fatores, o preço já muito elevado, eventualmente sobrevalorizado, de muitas propriedades em Portugal), negócios que representam 46% do valor registado como IDE ao longo do último ano (2025), mostram cálculos do DN/Dinheiro Vivo a partir de dados oficiais, do Banco de Portugal (BdP).Aliás, este peso da componente dos ativos imobiliários no IDE total nunca foi tão elevado nos últimos 17 anos, ou mais, de acordo com o levantamento feito.Segundo o BdP, "em 2025, as transações de IDE totalizaram 8,5 mil milhões de euros (13,1 mil milhões de euros em 2024)", sendo que "o investimento realizado no capital de entidades portuguesas ascendeu a 11,9 mil milhões de euros, dos quais 3,9 mil milhões de euros corresponderam a investimento imobiliário".Este valor das transações imobiliárias feitas mediante a entrada de fundos estrangeiros subiu mais de 10% face a 2024, evitando que a quebra no valor total do fluxo de IDE canalizado para a economia fosse pior do que os 35% registados entre 2024 e 2025."Numa perspetiva de contraparte imediata", isto é, quais regiões no estrangeiro tiveram origem do IDE total dirigido a Portugal, "os países europeus foram os principais investidores neste período (5,8 mil milhões de euros)", confirma o BdP. "Destacaram-se o Luxemburgo (1,1 mil milhões de euros), o Reino Unido (0,9 mil milhões de euros) e a Alemanha (0,8 mil milhões de euros)".Territórios como Luxemburgo ou Países Baixos costumam ser muito valiosos como origem aparente do IDE porque têm um quadro fiscal leve, sendo por isso muito usados por investidores e fundos (inclusive grupos portugueses) para realizar operações na economia portuguesa (aumentos de capital, compras de imobiliário, operações de reestruturação de dívida).Até aqui, o critério de avaliação do IDE foi por tipo de instrumento financeiro usado, onde se insere o conceito de transação imobiliária que, no fundo, é usado por quase todos os setores de atividade.Segundo o BdP, o investimento estrangeiro também pode classificar-se pelo tipo de atividade económica alvo direto do fluxo que vem do estrangeiro.Aqui, como é natural, o IDE que cai na economia vai sobretudo para o conjunto "indústrias, eletricidade, gás e água". Segundo a AICEP, que cita dados também do banco central, no primeiro trimestre deste ano, o fluxo de IDE gerou uma entrada de 2,1 mil milhões de euros, dos quais 1,5 mil milhões foram para as referidas indústrias.O binómio investimento em empresas de "construção e de atividades imobiliárias" tem uma expressão reduzida, tendo canalizado apenas 182 milhões de euros neste início de ano.Alguns negócios imobiliários que contam como IDEComo referido, o instrumento que capta a parte do capital que é estritamente negócio imobiliário atingiu um valor recorde de 3,9 mil milhões de euros em 2025. Até março deste ano, já ia em 816 milhões.Há de tudo e de quase todos os setores neste agregado do IDE. Um levantamento (não exaustivo) feito pelo DN/Dinheiro Vivo permite destacar alguns exemplos de valor elevado.No segmento do escritório aparece a K-Tower, no Parque das Nações, em Lisboa, transação realizada pela Real IS, "uma das maiores operações do primeiro semestre do ano passado".Segundo o site especializado Idealista, o setor do retalho e dos centros comerciais "captou cerca de 840 milhões de euros em 2025 (cerca de 30% a 33% de todo o imobiliário comercial), impulsionado por fundos de investimento europeus e canadianos".Por exemplo, o Alegro Montijo foi uma dessas grandes transações, tendo sido avaliado em 178 milhões de euros.Com o turismo ainda em crescendo, as compras e vendas de hotéis são inevitáveis.Em 2025, o Hotel Sofitel Lisbon Liberdade foi vendido pela AccorInvest à Extendam.No Porto, o Douro Royal Valley Hotel e o Douro Palace Hotel Resort foram comprados pelo fundo Explorer.O Hotel Miragem, em Cascais, também surge como uma das maiores transações de IDE do ano, tendo sido vendido por 125 milhões de euros.No segmento de propriedade e edificado industriais, temos, por exemplo, a Quinta da Marquesa, em Palmela, um enorme parque industrial comprado pelo fundo Patron Capital em conjunto com outros investidores.E, como não poderia faltar, o Start Campus, em Sines, o centro de dados gigante que há de somar à capacidade global em inteligência artificial. Este será dos maiores investimentos estrangeiros em Portugal, mas teve de começar pelo extenso edificado que o vai albergar.O primeiro edifício, onde serão instalados os sistemas de IT e servidores, o miolo, foi inaugurado em abril de 2025. Esta fase de arranque do complexo de edifícios foi avaliada em 130 milhões de euros. No projeto, há mais dois módulos a caminho..'Stock' de Investimento Direto Estrangeiro atinge 218 mil milhões no primeiro trimestre.Investimento estrangeiro sustenta mercado imobiliário da Grande Lisboa, com transações a subir 7% .Maioria do uso da IA ocorre fora do trabalho, mas adoção individual correlaciona-se diretamente com o PIB.Petróleo regressa aos 100 dólares e investimentos em IA fazem soar alarmes.Google e Tesla têm planos para disparar investimentos em IA e geram pânico nos mercados