A corrida à segunda fase da privatização da TAP arranca hoje, com a Parpública mandatada para enviar, a partir desta sexta-feira, dia 2, os convites para a apresentação das propostas não vinculativas aos três consórcios interessados na compra da companhia aérea portuguesa: a IAG, que detém a espanhola Iberia e a British Airways, a franco-holandesa Air France-KLM e a alemã Lufthansa. Entretanto, nos bastidores, os grupos têm vindo a posicionar-se e a afinar estratégias para ganhar terreno junto de vários players, como, por exemplo, as principais associações do setor.Nas últimas semanas, a Lufthansa convidou também alguns dos representantes dos trabalhadores da TAP para uma reunião. Os alemães foram os primeiros a avançar formalmente com uma aproximação aos sindicatos, num encontro que teve como objetivo fazer as apresentações iniciais. “Foi-nos pedida uma reunião por causa da privatização da TAP. Foi, no fundo, para se estabelecer contacto entre as partes e para o caso de eles ganharem já haver uma linha de comunicação. Foi um encontro célere”, diz ao DN o presidente do Sindicato dos Técnicos de Manutenção de Aeronaves (Sitema), Jorge Alves. Os pilotos também foram contactados pela Lufthansa, mas não quiseram sentar-se à mesa com o grupo de aviação por considerarem ser ainda prematuro. “Houve uma abordagem, mas a nossa posição, neste momento, é a de não reunir até que exista uma proposta vinculativa. Há três grupos a concorrer à compra da TAP e têm toda a informação disponível de que precisam para formalizar as suas propostas. Depois de estarem cientes das condições e de se vincularem, nesse momento, teremos todo o gosto em falar com alguém, mas só numa fase posterior”, justifica o vice-presidente Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil (SPAC), Frederico Saraiva de Almeida.Já os tripulantes dizem estar a travar contactos informais tanto com a Air France-KLM como com a Lufthansa e acreditam que poderão reunir-se com ambos os consórcios no início do ano. “No início deste processo, há alguns meses, tomámos a iniciativa de propor uma reunião com os potenciais compradores da companhia. A verdade é que estas reuniões nunca aconteceram, não por vontade do sindicato, mas porque as outras partes nunca se mostraram interessadas”, explica o presidente do presidente do Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC), Ricardo Penarroias. Entretanto, conta, o sindicato foi abordado pelos alemães e pelos franco-holandeses. “Já recebi por parte do grupo Air France-KLM e da Lufthansa abertura para conversarmos e falarmos um bocadinho da realidade da TAP e das possíveis pretensões que as companhias têm para o grupo. Acredito que nas próximas semanas, no início do ano, poderão acontecer essas reuniões mais efetivas”, acrescenta. .Acordos de empresa, estratégia e dívida aos tripulantes. Trabalhadores pedem garantias.O encontro entre os tripulantes e os candidatos à compra de 44,9% do capital da transportadora aérea portuguesa ainda não tem data marcada, mas o SNPVAC tem já uma lista de perguntas que quer colocar. “O que é que estes grupos querem da TAP e em que posição ficará a empresa nesses grupos? Numa posição igualitária, subsidiária? São estas questões que temos de colocar, em primeiro lugar”, afirma Ricardo Penarroias. O dirigente quer pedir garantias, uma vez que o sindicato tem sido “colocado à margem de todo o processo”.“Este caderno de encargos é miserável, dá zero garantias e é necessário que elas venham de alguém. Há questões muito complexas que têm de ser analisadas e confesso que tenho algum receio de que os nossos governantes não tenham a capacidade para lidar com este dossiê”, diz.Os atuais acordos de empresa, cuja vigência, no caso dos tripulantes, termina no final de 2026, é outro dos pontos que o presidente do SNPVAC quer debater de forma a salvaguardar as atuais condições laborais. Por fim, Ricardo Penarroias garante que as indemnizações que a TAP terá de pagar a cerca de dois mil tripulantes, e que podem ascender aos 300 milhões de euros - no âmbito de uma decisão do Tribunal Constitucional que deu razão aos trabalhadores e que não foi contestada pela TAP, conforme o DN avançou - terão de ser pagas ou pelo Estado ou pelo novo dono da companhia aérea. “Este é um ponto que os grupos já conhecem. Já me abordaram indiretamente sobre o assunto, demonstrando que esta é uma preocupação deles. Não tenho dúvidas nenhumas de que o futuro acionista minoritário da empresa terá de assumir esta dívida”, frisa. O representante dos tripulantes defende que esta matéria terá de ser discutida nas negociações entre o Governo e o comprador. “É importante, ainda assim, relembrar que a maioria do capital irá permanecer nas mãos do Estado que continua a ser responsável por esta dívida. Portanto, ela terá de ser paga com ou sem privatização”, reitera. Para os pilotos, é imperativo assegurar que a operação da TAP seja “o mais complementar possível” à do consórcio vencedor. “É um ponto fulcral para não sermos prejudicados, para não haver redução da nossa operação e de postos de trabalho”, enfatiza Frederico Saraiva de Almeida. Os acordos de empresa “negociados a muito custo”, a permanência do hub em Lisboa e manutenção das rotas estratégicas são, para o Sitema, os temas-chave. “É importante garantir que o nosso país não fique mais periférico ou que não tenhamos de ir daqui até Madrid para apanhar um avião. E que quem vier que venha interessado na empresa em termos globais e não apenas nas partes boas da TAP”, acrescente Jorge Alves..Parpública avança com segunda fase do processo de privatização.Depois de o Governo ter dado luz verde, a 19 de dezembro, às propostas dos três candidatos à compra da TAP, após validar o cumprimento dos requisitos para passarem à segunda fase do processo, a Parpública irá agora convidar os grupos a apresentarem uma proposta não vinculativa.O processo terá a duração de 90 dias, aos quais acresce um período de mais 30 dias para a avaliação por parte da empresa responsável pela gestão das participações do Estado que irá, posteriormente, elaborar um novo relatório com a apreciação da documentação recebida.Nesta segunda etapa, as propostas terão de apresentar uma componente financeira, detalhando o preço oferecido para a aquisição das ações bem como a descrição preliminar de outras propostas de valorização financeira, incluindo eventuais propostas de bónus decorrentes de objetivos alcançados (earn-outs) e a perspetiva de valorização futura. Aos candidatos é ainda solicitada uma proposta técnica com o plano industrial e estratégico para a TAP, bem como uma visão preliminar sobre as sinergias resultantes da concretização da venda..Privatização da TAP e venda da Logoplaste poderão ser os negócios do ano.Air France-KLM reitera "forte interesse na TAP" e quer "aumentar mais a contribuição" para a economia do país .TAP. Plano de reestruturação perto do fim mas ainda com metas por cumprir