Na segunda reunião negocial com os sindicatos da função pública, o Governo subiu a proposta de atualização da remuneração base de 870,50 para 875 euros, o que corresponde a uma subida de 6,47% face aos atuais 821,83 euros. Trata-se de um aumento superior aos 6,1% negociados na concertação para o salário mínimo nacional (SMN), que vai subir para 870 euros em 2025, e aumenta a distância entre a remuneração mínima no setor público e privado, dos atuais 1,83 para cinco euros. .Para os restantes salários, a secretária de Estado da Administração Pública, Marisa Garrido, manteve o aumento de 52 euros para salários brutos até 1754 euros e um mínimo de 2% para vencimentos acima desse valor, previstos no acordo plurianual do anterior governo. .Para o Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado (STE), que lidera a Frente Sindical, uma das três estruturas da administração pública que estão a negociar com o Governo, os 2% estão desatualizados, até porque, lembra a presidente, Maria Helena Rodrigues, em 2023 houve uma subida intercalar de 1%, fazendo com que os aumentos tenham ficado em 3%. Em declarações ao DN, a dirigente lembra que “a carreira técnica foi revista em 2024”, e não aceita que se “comece já a esbater a diferença” em relação à remuneração base, com esta a subir quase 6,5% e os restantes salários apenas 2%..A Fesap também não aceita atualizações gerais de 2%, num ano que o Executivo prevê que a taxa de inflação cresça 2,3%. “Pelo menos que reponham algum poder de compra perdido”, sublinha ao DN José Abraão, secretário-geral. Sobre a proposta de atualização da remuneração base para 875 euros, diz que é preciso garantir que os trabalhadores não são penalizados no IRS com a subida, “é uma matéria que tem de ser clarificada, tudo faremos para as que as pessoas não sejam prejudicadas”, adianta . Importante para a Fesap é também a apresentação, pela secretária de Estado, de um calendário para o início da revisão de um conjunto de carreiras gerais. “Queremos reagendamento com datas fixas”, sublinha..Subsídios fora da discussão José Abraão critica o facto de ainda não ter sido ontem que o Executivo levou à mesa das negociações o aumento do subsídio de refeição - atualmente de seis euros, e que a Fesap quer ver subir para oito - e a atualização das ajudas de custo, que não são revistas desde 2010. .José Abraão também questionou o Governo sobre a autorização legislativa para mexer no regime de férias, mobilidade, certificação de doença e direito à greve dos funcionários públicos que está no OE2025. “A secretária de Estado disse-nos que o objetivo é de simplificação”, avança, e mais não terá adiantado. .Sobre esta matéria, Sebastião Santana, da Frente Comum, afeta à CGTP, disse ao DN que a secretária de Estado “não sabe dizer nada”, mas que é um assunto que querem ver clarificado “desde já”, ainda no âmbito do atual processo negocial. .Sobre o aumento do subsídio de refeição e ajudas de custo, o dirigente da Frente Comum adianta que “o Governo disse que não vai mexer nos suplementos remuneratórios”. A Frente Comum não aceita as atualizações salariais propostas pelo Executivo, e diz que o aumento de cinco euros na remuneração base pode “sair muito caro” se não houver “isenção do pagamento de IRS”. .O Governo e os sindicatos voltam a reunir-se esta sexta-feira.