O Governo e a ANA - Aeroportos ainda não chegaram a um acordo sobre a data para a abertura do Novo Aeroporto de Lisboa (NAL) e a falta de consenso está a gerar tensão nas negociações relativas à futura infraestrutura localizada no Campo de Tiro de Alcochete. O calendário inicial, apresentado pela gestora dos aeroportos nacionais, em dezembro de 2024, apontava para 2037, mas o Executivo quer acelerar os prazos e antecipar a entrada em operação do Luís de Camões para 2034 ou 2035. O desfasamento no cronograma tem originado desentendimentos entre o Governo e a concessionária, segundo apurou o DN junto de fontes ligadas ao processo. Uma das evidências deste desalinhamento foi o silêncio sobre o tema na apresentação pública do terceiro relatório técnico, que decorreu ontem, em Lisboa, depois de na passada quinta-feira, 22, a ANA ter feito chegar o documento ao Governo. No Centro Cultural de Belém (CCB) falou-se de investimentos e de acessibilidades, mas sobre datas nem uma palavra. O ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, saiu sem prestar declarações aos jornalistas. O relatório ainda não foi disponibilizado e a única informação pública que há sobre a calendarização é uma ‘timeline do projeto’, publicada no mesmo dia, no site do Instituto da Mobilidade e dos Transportes (IMT). De acordo com os dados apresentados na plataforma da entidade, a construção do novo aeroporto deverá arrancar em 2029, sendo a obra concluída em 2033. Segue-se a fase de testes e comissionamento em 2034, estando a abertura do NAL prevista “a partir de 2035”.O desagrado do Governo relativamente às datas propostas pela ANA não é novidade e o Executivo tem reiterado, nos últimos anos, a urgência na obra. A posição ficou marcada desde o dia um, logo após a gestora detida pela francesa Vinci ter apresentado o relatório inicial sobre o desenvolvimento da capacidade aeroportuária de Lisboa (High Level Assumption Report). Quando deu luz verde à concessionária para avançar com a candidatura ao NAL, em janeiro de 2025, Governo listou como um dos aspetos prioritários a negociação sobre os prazos de construção, defendendo que deveriam ser estudadas “alternativas que permitam abreviar as fases anteriores ao início da obra, de forma a antecipar a conclusão do projeto”.Já no final do ano, o secretário de Estado das Infraestruturas reforçou a pressão, deixando claras as expectativas do Governo. “O prazo de 2037 é da exclusiva responsabilidade de José Luís Arnaut [chaiman da ANA], o nosso timing é 2034-2035. Nada impede a ANA de acelerar prazos”, disse Hugo Espírito Santo durante uma intervenção, em dezembro de 2025, no Congresso da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT), que decorreu em Macau. Presente no mesmo evento, Arnaut prometeu um passo mais rápido. “Por mim gostava de ter o aeroporto em 2035 ou 2036. (...) Estamos a trabalhar com o Governo para reduzir os prazos. (...) Vamos antecipar, vamos acelerar e vamos ter Alcochete a funcionar o mais depressa possível”, prometeu..Novo aeroporto custará até 8,9 mil milhões.O Novo Aeroporto de Lisboa (NAL) vai custar entre 7,9 mil milhões de euros e 8,9 mil milhões de euros, a preços de 2024, de acordo com o projeto técnico do Aeroporto Luís de Camões, apresentado ontem. A gestora revê assim o valor preliminar de 8,5 mil milhões de euros, considerando o efeito da inflação. A infraestrutura tem uma capacidade projetada para 56 milhões de passageiros anuais no ano de abertura, podendo atingir até 85 milhões de passageiros. O projeto prevê duas pistas na fase inicial, 64 portas de embarque, 72 pontes de embarque em contacto, um terminal de passageiros com cerca de 500 mil metros quadrados e soluções tecnológicas orientadas para a otimização das operações e para a melhoria da experiência do passageiro.Até ao final do mês, a ANA irá submeter a versão final do Estudo de Impacte Ambiental à Agência Portuguesa do Ambiente e ao Governo. Já a entrega do relatório financeiro, está prevista para 17 de janeiro de 2027, devendo a candidatura completa ser apresentada em janeiro de 2028. Ao nível das acessibilidades, a infraestrutura aeroportuária será servida por uma ligação ferroviária de alta velocidade, com um serviço shuttle direto ao centro de Lisboa, através da Terceira Travessia do Tejo, contando com quatro linhas e três plataformas que irão dispor de ligações diretas a vários pontos do país. O projeto técnico prevê ainda uma rede rodoviária desenhada de raiz que inclui mais de 250 quilómetros de novas vias e mais de “50 quilómetros de requalificação e melhoria da rede existente”..Novo aeroporto de Lisboa vai custar entre 7,9 e 8,9 mil milhões de euros .Novo aeroporto ficará a 20 minutos do centro de Lisboa por ferrovia