A atual sede do Banco de Portugal.
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Endividamento do setor não financeiro desce para 277,9% do PIB em 2025

Apesar de a dívida ter aumentado em termos nominais, o crescimento económico foi suficiente para reduzir o peso da dívida na economia para mínimos de 2007.
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O rácio de endividamento do setor não financeiro em Portugal recuou para 277,9% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2025, o valor mais reduzido desde o início da série do Banco de Portugal (BdP), no quarto trimestre de 2007.

Apesar de a dívida ter aumentado em termos nominais, o crescimento económico foi suficiente para reduzir o peso da dívida na economia.

Os dados publicados esta segunda-feira, 23, pelo BdP indicam que o montante agregado de dívida do setor não financeiro atingiu 851,3 mil milhões de euros em 2025. Deste total, 480,3 mil milhões dizem respeito ao setor privado (empresas privadas e famílias) e 371 mil milhões ao setor público (administração pública e empresas públicas).

Em termos percentuais, a redução do rácio total em relação ao PIB traduziu‑se numa diminuição de 6,2 pontos percentuais face a 2024. O endividamento público passou de 124,1% para 121,1% do PIB, enquanto o peso da dívida do setor privado caiu de 160,0% para 156,8%.

Apesar da redução do rácio global, a dívida nominal continuou a crescer, já que o agregado do setor não financeiro subiu 28,9 mil milhões de euros ao longo do ano.

No espaço público, o aumento do endividamento em 2025 foi de 11,7 mil milhões de euros, um crescimento que, segundo o BdP, se concentrou principalmente em responsabilidades junto de entidades não residentes. Esse movimento resultou, em larga medida, do investimento de não residentes em títulos de dívida portuguesa, que aumentou cerca de 13,4 mil milhões de euros.

No setor privado, a evolução foi desigual. As empresas privadas registaram uma variação de 2,5% no seu endividamento anual, enquanto as famílias elevaram a dívida em 8,8% no mesmo período.

O BdP aponta o crédito à habitação como a principal componente responsável pelo incremento do endividamento das famílias, com um acréscimo de 12,5 mil milhões de euros junto do setor financeiro.

Em termos setoriais, no final de 2025 as actividades com maior peso na dívida das empresas privadas foram o comércio, transportes, alojamento e restauração, e as indústrias, eletricidade, gás e água. Estes setores, em conjunto, representavam 54% do endividamento empresarial privado, refletindo a exposição do tecido empresarial a segmentos intensivos em investimento e sujeitos a ciclos de procura distintos.

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