O valor global de financiamento concedido pelo grupo Banco Europeu de Investimento (Grupo BEI) aumentou 43% entre 2024 e 2025, para cerca de três mil milhões de euros, anunciou a entidade sediada no Luxemburgo, esta quinta-feira."É um dos maiores crescimento de que há registo", observou Nadia Calvino, a presidente do grupo BEI, que está em Lisboa, esta quinta-feira, para apresentar o relatório anual sobre Portugal. O seu anfitrião foi Joaquim Miranda Sarmento, o ministro das Finanças, que recebeu a antiga vice-primeira-ministra de Espanha no salão nobre do ministério, em Lisboa.O grupo, constituído pelo Banco Europeu de Investimento (BEI) e pelo Fundo Europeu de Investimento (FEI), montante que "deverá mobilizar aproximadamente 12 mil milhões de euros em investimentos, o correspondente a quase 4% do Produto Interno Bruto (PIB)" português, diz o BEI em comunicado.Nadia Calvino sublinhou que Portugal lidera, entre os 27 países da União europeia, neste multiplicador: é o país que na Europa gera mais valor por cada euro de financiamento do BEI.O BEI é o chamado banco grossista. Empresta dinheiro à economia portuguesa (empresas privadas, grandes e PME, e entidades públicas) através dos bancos comerciais.Com uma classificação máxima da qualidade de crédito (rating AAA), o BEI consegue financiar-se nos mercados internacionais a juros muito baixos, canalizando depois esses fundos a taxas de juro bastante baixas.Esta entidade financeira europeia celebra, este ano, 50 anos de atividade e financiamento de projetos em Portugal.Os primeiros investimentos suportados com consultoria e linhas de crédito do BEI aconteceram em 1976, segundo fonte oficial. Desde essa altura, este banco financiou cerca de 525 projetos, sendo que o total de empréstimos neste meio século ascende a 61,1 mil milhões de euros, refere a instituição.TGVUm dos projetos mais emblemáticos de 2025 foi o TGV (ferrovia de alta velocidade)."O investimento destinado a promover a transição para modos de transporte mais sustentáveis representou quase mil milhões de euros, um valor histórico que inclui a emblemática linha ferroviária de alta velocidade Porto-Lisboa", diz o BEI em comunicado.A ferrovia de alta velocidade "representa um marco para Portugal e constitui um dos maiores investimentos em infraestruturas das últimas décadas no país", referido como mais sustentável e menos poluente, além de reduzir substancialmente o tempo de viagem entre Porto e Lisboa.O BEI recorda que "contratualizou a parcela inicial dos três mil milhões de euros aprovados pelo Banco em 2024 para apoiar esta infraestrutura estratégica para Portugal e para a União Europeia (UE)".Ou seja, em 2025 libertou quase mil milhões par ajudar o projeto do TGV a arrancar. Ficam a faltar mais dois mil milhões de euros.Habitação e escolasSegundo o BEI, "em 2025, o apoio à habitação atingiu 750 milhões de euros, valor que constitui um recorde para o grupo BEI em Portugal", financiamento que "apoiará o programa nacional para a habitação a preços acessíveis (Programa de Apoio ao Arrendamento), que inclui a construção e renovação de cerca de 12 mil unidades habitacionais".Além das casas, "a renovação de escolas públicas" recebeu 300 milhões de euros, um apoio à "modernização da infraestrutura educativa, a melhoria das condições de aprendizagem e o aumento da eficiência energética de aproximadamente 500 edifícios escolares".Navigator, Modelo Continente, EDPAlgumas das maiores empresas portugueses também beneficiaram dos empréstimos baratos do BEI. Segundo o banco, este "continuou a desempenhar um papel central na promoção da transição energética de Portugal, apoiando a descarbonização industrial, a expansão das redes e a eficiência energética em estabelecimentos retalhistas e outros edifícios".Neste domínio, o BEI "contribuiu para acelerar a estratégia de descarbonização da The Navigator Company, apoiando investimentos em tecnologias de produção com baixas emissões de carbono em todas as instalações da empresa"."No setor retalhista, o BEI está a financiar a MC (Modelo Continente, Sonae) a modernizar e a melhorar a sustentabilidade de aproximadamente 400 lojas através de sistemas energeticamente eficientes, da integração de energias renováveis e de soluções de economia circular, reduzindo significativamente as emissões".A EDP também surge no rol de projetos. "O BEI continuou a apoiar as redes elétricas através de operações como um empréstimo de 155 milhões de euros destinado a financiar a expansão, o desenvolvimento e a digitalização das redes da EDP em Portugal", diz o comunicado.PME também"O apoio às Pequenas e Médias Empresas (PME) e às empresas de média capitalização continua a ser uma das prioridades do grupo BEI em Portugal" que, em 2025, o emprestou um total de 500 milhões de euros para projetos de "melhoria do acesso dessas empresas a financiamento, reforçando a competitividade, a produtividade e o desenvolvimento regional"."Mais de 10.000 empresas portuguesas beneficiaram deste apoio sustentando cerca de 245.000 postos de trabalho", refere a instituição."O BEI continuou a explorar parcerias com bancos comerciais para canalizar financiamento para este segmento crucial da economia. Em 2025, assinou, entre outras operações, contratos com o Santander Totta, incluindo uma linha de crédito de 75 milhões de euros destinada ao setor agrícola, sendo 10% dedicados ao apoio a agricultores jovens e em início de atividade, e com o BPI, nomeadamente uma garantia de partilha de riscos para melhorar as condições de empréstimo para investimento em sectores-chave", explica a instituição financeira.