O grupo EDP apresentou ontem um resultado líquido atribuível a acionistas de 354 milhões de euros, mais 17% em termos homólogos. Excluindo impactos não recorrentes, o lucro do grupo foi de 368 milhões de euros entre janeiro e março, mais 20% do que nos primeiros três meses de 2023.Segundo a informação divulgada pela Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), a energética explica que o lucro se deveu “ao aumento do contributo das redes de eletricidade no Brasil, após o sucesso da OPA [oferta pública de aquisição] sobre a EDP Brasil, que foi concluída em agosto de 2023”.O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (EBITDA) diminuiu 5%, para 1,342 mil milhões de euros, “refletindo a performance do negócio de geração e comercialização na Península Ibérica, impactada pela menor margem integrada no primeiro trimestre de 2024 face a um nível elevado no período homólogo”..Os custos financeiros registados caíram 9%, para 236 milhões de euros, uma quebra que o grupo liderado por Miguel Stilwell d’Andrade justifica com a “diminuição do custo médio da dívida de 10 bps [pontos base], para os 4,7%, impulsionado sobretudo pela diminuição da dívida em dólares e reais, mitigado pelo aumento do peso da dívida em euros”.No final do primeiro trimestre, a EDP registava 1,12 mil milhões de euros em investimento operacional consolidado, incluindo projetos em energias renováveis e o reforço de redes de eletricidade em Portugal, Espanha e Brasil, “a representar 97% do investimento total”..No final de março, a dívida líquida totalizava 15,9 mil milhões de euros, “refletindo a aceleração do investimento em energias renováveis e redes de eletricidade, bem como o aumento do défice tarifário parcialmente mitigado pelos 538 milhões de euros de encaixe de transações de rotação de ativos”. .EDP Renováveis com lucros corta no investimento.Ontem, também a EDP Renováveis (detida pelo grupo em mais de 70% do capital) reportou resultados para o primeiro trimestre, tendo apresentado lucros de 68 milhões de euros, mais 4% em termos homólogos..A subsidiária explicou que o resultado líquido foi impactado por “uma menor contribuição do top line e pelo aumento de impostos” e compensado “por uma redução dos custos financeiros líquidos e dos interesses não controláveis (-11% em termos homólogos)”.Conhecido o reporte das contas trimestrais, a EDP Renováveis revelou, ainda, ter cortado em três mil milhões de euros o investimento previsto até 2026 e reduzido de quatro para três gigawatts (GW) o aumento médio anual da capacidade instalada em 2025 e 2026.Numa apresentação enviada à CMVM, e detalhada pelo CEO da EDP e EDP Renováveis durante uma call com analistas, a empresa anunciou uma “recalibração das metas de investimento para 2025-2026”, face ao anunciado ao mercado em 2023, devido à queda dos preços da energia na Europa, à manutenção de taxas de juro elevadas e ao impacto no cash flow dos desafios no fornecimento de capacidade em 2023. .jose.rodrigues@dinheirovivo.pt