Custo dos superpetroleiros duplica e atinge valor mais alto de sempre
Foto: Mohammed HUWAIS / AFP

Custo dos superpetroleiros duplica e atinge valor mais alto de sempre

Seguradoras estão a cancelar contratos de cobertura de risco dos navios devido à guerra no Golfo Pérsico e Estreito de Ormuz. Custo dos fretes disparam para valores incomportáveis.
Publicado a
Atualizado a

A taxa de transporte de petróleo e gás natural liquefeito (LNG na sigla em inglês) do Médio Oriente nos maiores navios-tanque que existem (os chamados superpetroleiros) duplicou de cerca de 180 mil euros por dia (na passada sexta-feira) para mais de 360 mil euros diários (cerca de 424 mil dólares por dia, ao câmbio atual), um máximo histórico, indica um documento do grupo financeiro da bolsa de Londres London Stock Exchange Group (LSEG).

As seguradoras marítimas estão a cancelar contratos de cobertura de risco desses navios devido ao perigo extremo que se vive na região, o que fez disparar o custo dos fretes para valores que, dizem vários analistas, são incomportáveis e que na prática servem para cancelar este valioso mercado do Médio Oriente.

O início da guerra com Irão, no sábado, e os inúmeros ataques dos EUA e Israel, mais a retaliação do regime de Teerão contra vários países vizinhos no Golfo Pérsico (Arábia Saudita, Omã, Emirados Árabes, Qatar) e várias bases norte-americanas nesses estados árabes, fez disparar o preço das matérias primas em si (petróleo e gás).

Mas a situação é pior ainda. O trânsito de navios (alguns foram alvo de projéteis, inclusive) pelo Estreito de Ormuz, região que é controlada pelo Irão, está interrompida desde sábado, e, como referido, com a escalada na guerra, as seguradoras especializadas em frentes marítimos estão a recusar fazer a cobertura de risco, tendo em conta o quadro de guerra regional em curso.

Mais de 20% da produção mundial de de petróleo e gás natural liquefeito do Médio Oriente é escoada para a Ásia (Índia e China, por exemplo) e para a Europa e a região do Mediterrâneo (via cana do Suez) através do Estreito de Ormuz em navios com capacidade para dois milhões de barris de petróleo (ou equivalente para gás) – os maiores, designados superpetroleiros.

De acordo com o departamento da Energia dos EUA, os frentes que saem do Médio Oriente pelo Estreito de Ormuz transportam (transportavam) 30% de todo o petróleo mundial escoado por via marítima, ou seja, sem contar com o crude escoado por oleodutos. Esses 30% equivalem a um fluxo de saída de 20,3 milhões de barris por dia. A maioria deste petróleo tem como destino a Ásia.

A mesma fonte do Departamento da Energia do governo dos EUA mostra que o Estreito de Ormuz também é a porta de saída para 20% do gás LNG produzido a nível global (o maior produtor é o Qatar). Estamos a falar de 290 milhões de metros cúbicos de gás por dia, por aquela via do golfo.

Todo este fluxo marítimo está agora interrompido (desde sábado, 28 de fevereiro, apesar de o Estreito não estar oficialmente encerrado) porque não há seguradoras dispostas a cobrir o risco.

O impacto nos preços está à vista. O contrato do petróleo brent (a referência para a Europa) para entrega em maio disparou mais de 15% desde sexta-feira, negociando agora (terça-feira) em 83 dólares por barril.

No caso do gás, o custo do contrato de futuros TTF (Title Transfer Facility) negociados na bolsa holandesa, a referência na Europa para o LNG, subiu 35% para 69,6 dólares (o preço é do equivalente em energia gerada por gás medida em megawatts-hora). Desde sexta-feira, estes preços subiram mais de 76%.

Artigos Relacionados

No stories found.
Diário de Notícias
www.dn.pt