Compra de casa por não residentes cai pelo terceiro ano devido ao impacto das reformas fiscais

Compra de casa por não residentes cai pelo terceiro ano devido ao impacto das reformas fiscais

Apesar da queda nas transações, o interesse por imóveis em Portugal vindo do estrangeiro manteve‑se significativo no primeiro trimestre de 2026, segundo dados do idealista/data
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A procura internacional por habitação em Portugal mantém‑se elevada, mas as transações efetuadas por não residentes — estrangeiros e emigrantes — seguem em queda pelo terceiro ano consecutivo, apontam dados oficiais e do portal idealista.

Segundo o Instituto Nacional de Estatística, em 2025 os não residentes adquiriram 8.471 habitações, uma redução de 13,3% face a 2024. O recuo é atribuído, em grande parte, às alterações legais e fiscais introduzidas no último ano do anterior Executivo, nomeadamente o fim dos vistos gold para investimento imobiliário e o endurecimento do regime de residentes não habituais, bem como à nova lei dos estrangeiros aprovada pelo atual Governo e à revisão da lei da nacionalidade ainda em apreciação pelo Presidente da República.

Apesar da diminuição nas vendas, o interesse por imóveis em Portugal vindo do estrangeiro manteve‑se significativo no primeiro trimestre de 2026, segundo dados do idealista/data.

Em termos percentuais, as visitas internacionais aos anúncios representaram percentagens de dois dígitos na generalidade das 20 grandes cidades analisadas — com exceção de Évora — refletindo a perceção do país como destino seguro para viver e investir em tempos de incerteza global.

As maiores taxas de pesquisa internacional deram‑se no Funchal (Madeira) e em Ponta Delgada (São Miguel, Açores), com 30% e 27% das visualizações, respetivamente. Cidades como Viana do Castelo, Faro, Bragança e Castelo Branco registaram cerca de 20% de procura vinda do estrangeiro. No Porto, o peso das visitas internacionais situou‑se em 15% do total, enquanto em Lisboa foi de 13%. As menores incidências foram observadas em Évora, Santarém, Beja e Coimbra (entre 9% e 11%).

No conjunto das 20 cidades, a maioria das pesquisas por imóveis continua a ter origem em território nacional, mas, entre as visualizações internacionais, sobressaem os EUA e o Reino Unido, sendo que cada um liderou a origem das visitas em seis cidades. Os EUA tiveram maior peso nas pesquisas para Ponta Delgada (35%), Aveiro (15%), Braga, Lisboa, Coimbra e Évora (14% cada). O Reino Unido foi a principal origem das visitas no Funchal, Faro, Castelo Branco, Setúbal, Beja e Santarém.

Há outras nacionalidades que dominam nos mercados regionais. É o caso de França que liderou em Viana do Castelo, Bragança, Guarda e Leiria. Já a Espanha foi a principal fonte de consultas no Porto e em Portalegre e a Suíça destacou‑se em Viseu e Vila Real. Em Lisboa, as pesquisas internacionais têm como principais origens os EUA (14%), Espanha (11%) e França (10%), enquanto que no Porto, Espanha (18%), EUA (14%) e França (10%) são as mais relevantes.

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Procura por habitação disparou nas periferias de Lisboa e Porto em 2025

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