O fim de semana fez-se de longas filas em vários postos de abastecimento do país. Os aumentos nos combustíveis previstos a partir desta segunda-feira, 20, que irão incrementar o preço da gasolina e do gasóleo para perto dos dois euros por litro, levaram centenas de automobilistas a acorrer às gasolineiras nos últimos três dias, de forma a conseguirem mitigar o impacto na carteira. O acréscimo da afluência de clientes ganhou expressão numa altura em que milhares de famílias se preparam para as férias de verão e precisam de encher os depósitos das viaturas.Ao final da manhã deste domingo eram já vários os consumidores que, num posto de combustível localizado numa zona central de Almada, aguardavam pacientemente a sua vez de abastecer. Um dos funcionários do estabelecimento confirmou ao DN que a procura disparou desde sexta-feira, sendo que no sábado foi registado “um enorme afluxo de clientes” no espaço, originando uma enchente durante a tarde. O cenário, acrescenta, é já recorrente nos fins de semana que antecedem as semanas de novos aumentos nos preços da gasolina e do gasóleo e fica particularmente pressionado pela época de férias. Pedro Cabeceira, de 51 anos, é um dos exemplos que ilustra o quadro. O administrador comercial rumará ao Algarve na próxima quarta-feira, com a esposa e os dois filhos, para o habitual descanso estival, mas a subida dos preços fê-lo antecipar a visita a estas bombas na margem Sul do Tejo. A gestão do orçamento familiar tem exigido “ginástica e contenção” e o aumento dos custos, que se têm agravado desde o início do ano, obrigaram o agregado a reduzir o período de lazer. “Este ano, em vez dos habituais 15 dias, optámos por ir apenas uma semana para Albufeira. É preciso cortar gastos, está tudo muito caro e, claro, estas subidas nos combustíveis têm muito impacto”, explica ao DN, sem desviar os olhos do visor eletrónico onde os algarismos do preço a pagar avançam a uma velocidade superior à dos litros que alimentam o carro.Já para Tânia Dias, a próxima semana não será de férias, mas de deslocações diárias até ao local de trabalho, em Lisboa. A operadora de uma unidade fabril está dependente do automóvel para chegar ao emprego, uma vez que trabalha por turnos e não dispõe de soluções de transportes públicos que sejam compatíveis com os horários laborais. “Está cada vez mais difícil suportar os preços dos combustíveis, mas que remédio temos nós. É isso ou não se trabalha”, desabafa já na linha de caixa enquanto retira o cartão multibanco da carteira..Governo reforça desconto no ISP.Face às previsões do aumento dos preços dos combustíveis para esta semana, o Governo voltou a atualizar o desconto temporário e extraordinário do Imposto sobre os Produtos Petrolíferos (ISP), mecanismo aplicado quando os aumentos excedem um valor de 10 cêntimos por litro em comparação com a primeira semana de março. Na portaria publicada em Diário da República, na sexta-feira, o Executivo reforçou o apoio fiscal em cerca de 0,6 cêntimos por litro na gasolina e em 1,8 cêntimos no gasóleo. Com a atualização das taxas do ISP, o preço final do gasóleo deverá aumentar cerca de 11,3 cêntimos por litro e o da gasolina 5,8 cêntimos, abaixo dos 13,5 cêntimos e dos 6,5 cêntimos, respetivamente, que eram projetados antes da revisão do imposto pelo Automóvel Club de Portugal (ACP). Contas feitas, para um automobilista que abasteça o veículo com 50 litros, a subida prevista representa um encargo adicional de cerca de 5,65 euros no caso do gasóleo e de 2,90 euros na gasolina.Recode-se que na semana passada, a ministra do Ambiente e Energia pediu à Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) um estudo sobre o impacto das variações do preço do petróleo nos combustíveis, conforme noticiou o Jornal de Notícias (JN). O objetivo de Maria da Graça Carvalho é perceber por que motivo as subidas das cotações internacionais são repercutidas mais rapidamente nos preços praticados nos postos de abastecimento do que as descidas, tendo dado ao regulador um prazo de 20 dias para apresentar a informação solicitada..Setor dos combustíveis diz que ministra pede à ERSE tarefa que regulador já cumpre