A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde
A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine LagardeEPA/RONALD WITTEK

BCE confirma subida de 25 pontos base nas taxas de juros. Lagarde recusa antever próximo passo devido a "incerteza da noite para o dia"

Decisão, que já era antecipada pelos mercados, coloca os juros no nível mais elevado desde março de 2025. BCE mantém todas as opções em aberto e recusa comprometer-se antecipadamente com nova subida dos juros até final do ano. Mas Lagarde deixou uma garantia: o banco central continuará a orientar as suas decisões pela meta dos 2% de inflação.
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A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, afastou qualquer tentativa de antecipar uma nova subida das taxas de juro até ao final do ano, depois da decisão de aumentar o custo do dinheiro em 25 pontos base, para 2.50%, esta quinta-feira (10 de setembro), naquela que foi a segunda subida em 2026.

A decisão tomada foi “unânime e óbvia”, mas, segundo Lagarde, a reunião do Conselho do BCE esteve exclusivamente centrada nesse passo. “Todas as discussões que tivemos hoje se centraram na decisão de hoje”, afirmou, garantindo que não foi debatida qualquer trajetória futura para os juros.

Perante a insistência dos jornalistas em obter pistas sobre uma eventual terceira subida ainda este ano, Lagarde foi taxativa: “Não estamos a tomar uma posição sobre a direção a seguir na nossa próxima reunião”. O BCE mantém todas as opções em aberto e recusa comprometer-se antecipadamente com nova subida dos juros, numa altura em que a inflação continua acima do objetivo e a economia permanece exposta a novos choques.

“Encontramo-nos numa situação de incerteza que pode mudar as coisas quase da noite para o dia”, afirmou Lagarde, justificando a opção por analisar os dados reunião a reunião. Apesar da prudência quanto ao próximo passo, Lagarde deixou uma garantia: o BCE continuará a orientar as suas decisões pelo objetivo de inflação. “Estamos determinados a cumprir a nossa meta”, afirmou, numa referência direta ao compromisso de levar a inflação de volta aos 2%.

Na reunião desta quinta-feira, o BCE elevou a taxa de referência de 2,25% para 2,5%, num contexto de forte aumento dos preços do petróleo e do gás associado ao conflito no Médio Oriente.

A decisão, que já era antecipada pelos mercados, coloca os juros no nível mais elevado desde março de 2025, numa altura em que o petróleo Brent ronda os 100 dólares por barril, enquanto o gás natural europeu se aproxima dos 80 euros e a inflação na zona euro atingiu 3,3%.

A subida surge depois de, em julho, o BCE ter optado por manter os juros, perante a incerteza sobre a evolução do conflito e dos mercados energéticos. Desde então, o petróleo encareceu cerca de 14% e o gás mais de 30%, aumentando o risco de que o choque energético se transmita ao conjunto da economia.

Com esta decisão, as taxas de juro aplicáveis à facilidade permanente de depósito, às operações principais de refinanciamento e à facilidade permanente de cedência de liquidez serão aumentadas para, respetivamente, 2,50%, 2,65% e 2,90%, com efeitos a partir de 16 de setembro de 2026.

Antes da conferência de imprensa de Lagarde, o comunicado do BCE assinalava que "o conflito no Médio Oriente continua a gerar pressões inflacionárias" e que a decisão de hoje “reforça o compromisso do Conselho do BCE em definir uma política monetária que assegure que a inflação estabiliza na meta dos 2% a médio prazo”.

Inflação e crescimento da zona euro revistos em alta

Além das decisões sobre as taxas de juro, o BCE manteve a previsão de inflação para 2026 nos 3%, mas reviu em alta as estimativas para os dois anos seguintes: espera agora 2,5% em 2027, contra 2,3% anteriormente, e 2,1% em 2028, face aos 2% previstos em junho.

Nas projeções para o crescimento da zona euro, o banco central mostrou-se ligeiramente mais otimista. Prevê uma expansão de 0,9% em 2026, contra os 0,8% estimados anteriormente, e de 1,4% em 2027, acima dos 1,2% previstos em junho. Para 2028, mantém a estimativa de crescimento em 1,5%.

atualizado às 16.28

Com Lusa

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