"Não vejo de nenhuma maneira que isto seja alguma situação de pânico", disse Paulo Macedo, CEO da Caixa Geral de Depósitos, sobre situação geopolítica atual.
"Não vejo de nenhuma maneira que isto seja alguma situação de pânico", disse Paulo Macedo, CEO da Caixa Geral de Depósitos, sobre situação geopolítica atual. Foto: Rita Chantre/GI

Banqueiros dizem que bancos portugueses estão preparados para impacto da guerra contra o Irão

Mundo está volátil, mas os líderes dos principais bancos nacionais acreditam que as empresas, incluindo os bancos, estão hoje mais resilientes do que há uma década.
Publicado a
Atualizado a

Responsáveis de alguns dos principais bancos em Portugal consideraram esta terça-feira, dia 10, que o setor está preparado para os choques da guerra no Irão, remetendo para experiências recentes e para a preparação face à instabilidade.

"As empresas portuguesas, acho eu, estão mais preparadas", incluindo no caso dos bancos, que têm "uma capacidade de financiamento, de capital, de liquidez bastante sólida", disse o presidente da Comissão Executiva da Caixa Geral de Depósitos (CGD), Paulo Macedo.

No Fórum Banca 2026, organizado pelo Jornal Económico, em Lisboa, o líder do banco público apontou que o aumento do preço dos combustíveis e dos transportes e da inflação é "um cenário que naturalmente preocupa", mas defendeu que "vale a pena ver as experiências recentes".

Nesse sentido, Paulo Macedo considerou que as empresas de muitos setores "tiveram uma grande resiliência e tiveram bons anos" em 2024 e 2025.

"Não vejo de nenhuma maneira que isto seja alguma situação de pânico. A questão é se de facto a situação se prolongar", acrescentou, rejeitando que a situação seja, neste momento, catastrófica.

"Se tivermos um contexto de inflação, ou este aumento de preço é absorvido por uma parte da margem das empresas, ou é totalmente repercutido nos consumidores", disse, recordando que nas últimas ocasiões "foi bater na carteira das pessoas".

Já o presidente da Comissão Executiva do Millennium BCP, Miguel Maya, admitiu que as maiores incertezas nos últimos anos têm tornado a banca "mais rigorosa, defensiva".

"Tornam a banca a ter de trabalhar múltiplos cenários e ter de trabalhar com mais capital e estar preparada para ciclos que já não são de dez em dez anos e que são muitas vezes dentro do próprio ano", apontou.

A solução é, na sua opinião, "fazer uma belíssima avaliação do risco e ter sempre cenários contingentes e preparados para poder lidar com estes períodos".

A presidente executiva do Santander, Isabel Guerreiro, reforçou que é fundamental que os bancos e as empresas tenham "uma enorme velocidade e uma enorme capacidade de adaptação".

"O mundo hoje é volátil, incerto, complexo, ambíguo, e a velocidade a que as coisas acontecem já não é em semanas, meses, é em horas", afirmou, acrescentando que o que o seu banco está a fazer é "perceber o que é ruído e o que são sinais".

Admitindo que pode haver consequências de um encerramento prolongado do estreito de Ormuz, Isabel Guerreiro considerou que a instituição que lidera está preparada para atuar e defendeu que a banca portuguesa "está hoje muitíssimo mais capacitada do que estava há dez ou cinco anos".

O presidente executivo do BPI, João Pedro Oliveira e Costa, também destacou a evolução no ambiente global, remetendo para "uma sistemática alteração das condições".

"É muito difícil estar neste momento e ainda estarmos a antecipar o que é que vai acontecer", apontou, destacando os impactos dos preços da energia na circulação de bens e no turismo.

O presidente do Crédito Agrícola, Sérgio Frade, referiu que o banco tem estado "continuamente a rever estratégia" nos últimos meses e que a instituição tem procurado ser mais ágil, resiliente e adaptável.

O responsável disse ainda que o Crédito Agrícola tem falado com os clientes, nomeadamente no setor agrícola, para "serem mais adaptáveis, de terem mais flexibilidade nas suas cadeias de abastecimento" para reduzirem a sua exposição.

Já Pedro Leitão, do Montepio, acredita que com "um radar bem montado" e com "a capacidade de distinguir aquilo que é sinal daquilo que é ruído", os bancos portugueses "demonstraram que estão prontos, não só resilientes".

Os Estados Unidos e Israel lançaram em 28 de fevereiro um ataque militar contra o Irão, tendo matado durante a ofensiva o 'ayatollah' Ali Khamenei, líder supremo do país desde 1989.

O Irão encerrou o estreito de Ormuz e lançou ataques de retaliação contra alvos em Israel, bases norte-americanas e outras infraestruturas em países da região.

O estreito de Ormuz, que liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã, é atravessado por cerca de 20% do petróleo e por uma parte significativa do gás natural liquefeito comercializados por via marítima, segundo dados da Administração de Informação Energética dos Estados Unidos e das Nações Unidas.

"Não vejo de nenhuma maneira que isto seja alguma situação de pânico", disse Paulo Macedo, CEO da Caixa Geral de Depósitos, sobre situação geopolítica atual.
Bolsas recuperam e petróleo cai a pique após Trump prometer fim da guerra "muito em breve"

Artigos Relacionados

No stories found.
Diário de Notícias
www.dn.pt