Ataque aos 'deepfakes': Google expande marcas de água invisíveis nos conteúdos criados por IA
A proliferação de vídeos forjados, clonagem de voz e desinformação sintética levou a Google a acelerar a resposta técnica contra a ameaça dos deepfakes. A tecnológica está a expandir a tecnologia SynthID, concebida pela Google DeepMind, e a aprofundar a aliança com o consórcio C2PA para implementar um sistema de rastreabilidade transversal capaz de desmascarar manipulações e proteger o ecossistema de informação digital, foi divulgado esta terça-feira (6 de outubro).
A estratégia assenta numa abordagem em dupla camada que combina a marcação forense invisível com a certificação criptográfica de origem. Ao contrário dos métodos tradicionais de etiquetagem ou dos metadados convencionais, que desaparecem facilmente quando um ficheiro é descarregado ou reenviado em aplicações de mensagens, o SynthID insere alterações matemáticas impercetíveis diretamente na estrutura mais profunda dos dados.
No caso do vídeo e da imagem, essas perturbações minuciosas na matriz de píxeis resistem a compressões agressivas, cortes de enquadramento ou filtros de cor, permitindo identificar material forjado mesmo após sucessivas edições. No áudio, frequências específicas são moduladas de forma inaudível no espectrograma sonoro, inviabilizando a circulação indetetável de gravações clonadas. Segundo comunicado da Google, até o texto gerado por grandes modelos de linguagem passa a incorporar uma assinatura estatística oculta, aplicada na própria amostragem probabilística das palavras sem comprometer a clareza ou a coerência sintática da escrita.
A blindagem estende-se igualmente à defesa do material genuíno através do protocolo Content Credentials da C2PA. Ao registar criptograficamente o momento da captura ótica, funcionalidade integrada de raiz nos equipamentos da linha Pixel, o sistema assegura a autenticidade de fotografias e gravações reais, criando um histórico de proveniência que previne falsas acusações de adulteração.
Este é um protocolo que também foi adotado pela Apple na nova geração dos seus iPhones.
A verificação destas assinaturas digitais passa a estar acessível aos utilizadores através da Pesquisa Google, do navegador Chrome e do assistente Gemini, anuncia a Google.
Em simultâneo, a disponibilização de uma interface de programação de aplicações (API) na plataforma Google Cloud abre o acesso desta capacidade de escrutínio a empresas, redes sociais e redações jornalísticas empenhadas na triagem em tempo real de conteúdos suspeitos, diz a empresa norte-americana.

