Diogo Lucena acredita que o regime de pensões fica mais simples e justo quando adequado à esperança média de vida. Para o especialista, que participou na Conferência 'Pensar o futuro - Um Estado para a sociedade', o mesmo valor de desconto deveria poder gerar reformas diferentes consoante a esperança média de vida, o que permitiria aos portugueses escolherem o momento em que sairiam para a reforma. . "Se as contas estiverem bem feitas do ponto de vista actuarial, eu posso devolver às pessoas a capacidade de escolher o momento da reforma, têm é de pagar o preço. Ou seja, como se reforma mais cedo e tem a reforma mais tempo, tem de ter uma reforma muito mais pequena. Do ponto de vista do sistema isso pode ser neutro: escolha o momento da sua reforma". . Como explicou à margem da Conferência que decorre no Palácio da Foz, em Lisboa, o conceito de 'reforma inteira' ou de 'penalização' perde o sentido. "Há uma conta que é feita". Ou seja, se uma pessoa descontou 20 anos e tem 70 anos de idade (10 de reforma), e outra descontou os mesmos 20 anos mas tem apenas 40 anos de idade (40 anos de pensão), "para o mesmo desconto, o nível da pensão deve ser diferenciado". . Lucena explica todavia que "é claro que não gosto que as pessoas se reformem muito cedo, mas acho que poderiam ser desincentivadas por este sistema. É o preço", detalha. . Para o professor, a idade da reforma é contudo "a medida que tem maior efeito", pelo seu efeito duplo: "a pessoa reforma-se mais tarde por isso desconta mais e por outro lado, tem menos tempo de reforma. Tem um efeito de tesoura e isso tem um impacto significativo no funcionamento financeiro do sistema".