Vianova lançou app que vai de Paris a Sydney para gerir o caos da nova mobilidade

O caos provocado nas cidades com a massificação das bicicletas e trotinetes elétricas foi o mote para a Vianova criar uma plataforma que ajuda a gerir a mobilidade urbana.

A explosão de bicicletas elétricas, scooters e trotinetes em Paris, bem como o caos que lançaram na cidade, em 2017, foi o impulso fundador da Vianova, uma então startup, que nasceu para gerir a mobilidade na nova era dos transportes 'on demand'.

"Percebemos que se a gestão de tráfego na cidade já tinha problemas, eles agravaram-se com estas novas formas de micromobilidade e foi por isso que criámos em 2019 uma plataforma para melhorar a gestão ao nível dos operadores e das cidades", diz o co-fundador da Vianova, Thibault Febvre, em entrevista no âmbito do Portugal Mobi Summit.

Como reflexo das mudanças que estão a acontecer a grande velocidade na área da mobilidade em todo o mundo, também a trajetória da Vianova se ramificou muito rapidamente por vários caminhos e projetos em diferentes latitudes.

A startup (agora em fase de scaleup) já exportou a sua plataforma inovadora para cidades como Bruxelas, Estocolmo, Helsínquia, Zurique, Milão, Malmo e também a capital algarvia, Faro, entre outras. Para o seu desenvolvimento contou com o apoio do EIT Urban Mobility (Instituto Europeu para a Inovação e Tecnologia), um organismo da União Europeia.

"Começámos com o foco na reunião de big data (dados) sobre os novos veículos elétricos para apoiar a gestão dos operadores de transportes e municípios, mas tudo começou a evoluir muito rapidamente. Com a condução autónoma mesmo ao virar da esquina, começámos também a ser contactados pela própria indústria automóvel, nomeadamente pela Porsche, para os ajudar a melhorar a conectividade dos veículos", refere aquele economista com mestrado em ciência de dados e codificação.

Porque o centro do negócio da Vianova é a conectividade entre veículos e equipamentos e sensores, é natural que as construtoras queiram incorporar as melhores tecnologias, mas também informação relevante sobre o meio envolvente nos seus veículos, que, à medida que se tornam mais autónomos, carecem de dados de elevada precisão.

E que tipo de informação podem os veículos fornecer em conexão com a plataforma da Vianova aos diferentes utilizadores? Para além da georeferenciação, podem dar indicações sobre velocidades médias, a carga de bateria dos veículos (sejam carros , bicicletas ou scooteres elétricas em mobilidade partilhada), o estado dos veículos, se estão livres ou ocupados, por exemplo, o que permite uma melhor gestão de serviços como o da Uber, fornecendo também indicadores sobre taxas de utilização, em que horários e em que zonas, exemplifica Thibault Febvre.

Em Bruxelas, por exemplo, a plataforma "permitiu melhorar as regras de estacionamento, georeferenciar 120 novas zonas de utilização deste tipo de veículos e notificar e reportar 1500 incumprimentos às regras de estacionamento, o que permitiu reduzir as patrulhas de fiscalização em 30%", refere a empresa.

Já em Helsínquia, na Finlândia, a plataforma forneceu indicadores de utilização sazonal e rotação dos veículos e facilitou um melhor planeamento do espaço público, graças a uma análise sobre o estado dos passeios. Em Estocolmo, ajuda a monitorizar um dos maiores parques de estacionamento de scooters elétricas. E em Milão, o município tem um só modelo de supervisão para mútiplos serviços de mobilidade.

Resumindo, a plataforma "permite controlar em tempo real o parque de veículos dos operadores de mobilidade partilhada, receber notificações das violações e situações de obstrução de vias ou monitorizar a disponibilidade da frota instantaneamente". Do lado da gestão urbana fornece indicadores para avaliar a oferta e procura de novos modos de mobilidade e permite usar os dados para planear novas infraestruturas como os hubs, ciclovias ou infraestruturas de carregamento.

Com o leque de possibilidades de negócio a diversificar-se, a Vianova já tem clientes em geografias tão distantes como a Austrália e a Nova Zelândia. Não é por isso de estranhar que depois de já ter crescido de duas para 18 pessoas planeie chegar a cerca de 30 até ao fim deste ano.

"Nunca houve tantas alernativas diferentes para nos movermos", conclui Thibault Febvre, que se manifesta comprometido com a ideia de devolver espaço público às pessoas e de ter cidades mais sustentáveis.

Veja tudo sobre mobilidade e o Portugal Mobi Summit em www.portugalms.com

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