Viajantes deixaram 832,7 milhões em alojamento em Portugal

Meses de janeiro e fevereiro registaram subidas, mas abril e maio registaram descidas homólogas de 97% e 94%. No último trimestre do ano foram superiores a 50%.

Os viajantes deixaram 832,7 milhões de euros nas unidades de alojamento turístico em Portugal no ano passado. Os dados são da SIBS (SIBS Analytics) e traduzem uma quebra face a 2019, apesar da plataforma não disponibilize o valor global desse ano.

Contudo, a variação mensal permite perceber que em janeiro e fevereiro de 2020 - que registaram crescimentos tanto ao nível de hóspedes como de dormidas - as operações com cartões oriundos de todos os países subiram 14% e 23% respetivamente nas unidades de alojamento para turistas. Por outro lado, os meses seguintes já são todos de queda - em linha com o que sucedeu com a atividade turística - com abril e maio, por exemplo, com descidas homólogas de 97% e 94% no valor pago nestes estabelecimentos. Junho, mês em que o desconfinamento deu mais alguns passos, teve uma queda de 78%; no trimestre de verão, as descidas homólogas oscilaram entre os 29% e os 57%. E no último trimestre foram sempre superiores a 50%

Em ano de pandemia, o que provocou uma travagem a fundo nas viagens, os turistas portugueses - que em 2019 representaram cerca de um terço dos 27 milhões de hóspedes - assumiram o protagonismo e foram os principais clientes do alojamento turístico. As operações realizadas com cartões de Portugal ascenderam a 416,3 milhões de euros, ou seja, metade do valor total do ano passado.

As unidades de alojamento turístico acolheram até outubro (últimos dados do INE) 3,7 milhões de hóspedes estrangeiros, muito distante dos 16,3 milhões de 2019.

O Reino Unido é o principal mercado emissor de turistas para Portugal e nos dez primeiros meses de 2020, devido à pandemia que determinou a abertura do corredor aéreo por apenas alguns dias em agosto, foram pouco mais de 433 mil os britânicos que estiveram em unidades de alojamento nacionais. Os dados da SIBS mostram que, com cartões do Reino Unido, foram realizadas operações no valor de 167 milhões de euros.

Dos quase 833 milhões gastos em unidades de alojamento, o distrito de Faro foi onde mais dinheiro foi gasto (212,7 milhões de euros), seguido de Lisboa (164,3 milhões de euros), do Porto (81,5 milhões de euros), Setúbal (48,9 milhões de euros) e o do Funchal (44 milhões de euros).

Lazer e viagens
No segmento do lazer e viagens, o valor de todas as operações efetuadas em Portugal com cartões de todos os países ascendeu a 399,2 milhões de euros. E tal como no setor do alojamento para turistas, os dois primeiros meses do ano registaram crescimento, seguindo-se um período de queda, com meses como abril e maio a afundaram mais de 90% face ao mesmo período de 2019, de acordo com a SIBS Analytics.

A fatia de leão dos quase 400 milhões pagos foi com cartões de Portugal (335,5 milhões de euros). Os cinco distritos que estão entre os cinco primeiros em termos de gastos com cartões nacionais são Lisboa (119,8 milhões de euros), Porto (58,6 milhões de euros), Faro (30,9 milhões de euros), Setúbal (22,2 milhões de euros) e Braga (18,4 milhões de euros).

Restauração
Todas as atividades ligadas ao turismo têm vindo a pagar uma fatura pesada com a pandemia do novo coronavírus. Os restaurantes e similares estiveram várias semanas de portas fechadas (sendo que os espaços de diversão noturna continuam fechados) e mesmo com o confinamento tiveram de responder a várias limitações, nomeadamente ao nível da capacidade.

Além disso, e tal como a aconteceu com as unidades de alojamento para turistas, a capacidade instalada vinha a aumentar nos últimos anos alimentada pelo crescimento do turismo. O turismo de negócios, que ajudava a diminuir a sazonalidade e gerava procura para a restauração, teve crescimento também interrompido.

Os dados da SIBS Analytics indicam que o valor de todas as operações em Portugal, com cartões de todos os países, em serviços de catering, restauração e similares, em 2020, ascendeu a 3,5 milhares de milhões de euros. Também neste caso, a fatia de leão dos pagamentos foi feita por cartões de Portugal (3,1 mil milhões de euros).

Por distritos, nos pagamentos realizados por todos os cartões no catering, restauração e similares, a tabela é liderada por Lisboa (1,1 mil milhões de euros), Porto (535,3 milhões) e Faro (331,1 milhões).

Ana Laranjeiro é jornalista do Dinheiro Vivo

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