Turismo do Algarve. "Vai ter de se reajustar apoios"

João Fernandes, presidente da Região de Turismo do Algarve, diz que "é muito difícil antecipar o que será o verão à luz do que sabemos".

Portugal impôs quarentena aos britânicos. A Alemanha já tinha colocado Portugal na lista vermelha. Como é que está o Algarve a viver esta situação? Com julho à porta, o que é que se pode esperar deste verão?
Essas duas decisões são muito condicionantes de viagens a partir daqueles que são os nossos dois principais mercados externos: o Reino Unido e a Alemanha. No caso em concreto da Alemanha, o despacho vem impedir viagens não essenciais até ao dia 13 de julho e é uma condicionante forte e que foi acionada por via de uma cláusula travão que ultrapassa as regras do Certificado Digital europeu e que também colocam em causa o caminho que estávamos a percorrer para uma homogeneidade de regras a aplicar ao espaço europeu. Em relação ao mercado britânico, a expectativa é que em agosto, e de acordo com várias declarações de membros do governo britânico, haja a possibilidade de viagens do Reino Unido para pessoas que tenham já a vacinação completa, mesmo para países na lista âmbar. Esperemos que Portugal esteja nessa condição para poder beneficiar dessa procura. Agora, julho vai ser um mês muito condicionado para procura externa; sendo que é um mês que habitualmente regista elevados níveis de procura oriunda sobretudo de países europeus.

Vai ser um verão pior do que o de 2020?
Se há coisa que aprendemos com esta pandemia é que, de uma semana para a outra, os cenários mudam completamente. Portanto, é muito difícil antecipar o que será o verão à luz do que sabemos. O ponto de partida em que estamos não é o mais positivo, seja do lado da procura, seja da própria região que, neste momento, precisa de ultrapassar índices pandémicos que não são favoráveis. Sabemos que a contabilização da taxa de incidência é errónea na medida em que não considera a população flutuante. Mas, o facto é que dificulta a atração de públicos sobretudo externos.

Conta que os portugueses possam ajudar a região, como fizeram no ano passado?
Essa é a esperança que temos, mas é preciso que os vários concelhos do Algarve tenham condições para poder oferecer o que habitualmente fazem: ter todos os serviços disponíveis, inclusive os restaurantes, os hotéis; todas as valências do turismo abertas e com horários apelativos.

A AHRESP pediu apoios a fundo perdido tanto para a restauração como para o alojamento. Esse pedido já foi secundado pela associação que representa o alojamento local. Na sua perspetiva, o turismo vai precisar de apoios a fundo perdido?
Vai, até porque o arranque deste verão lançou vários indícios de que poderia ser um verão bastante melhor que o do ano passado, nomeadamente ao nível da procura externa. Os empresários contrataram pessoas, adquiriam géneros alimentares e equipamentos e, agora, não têm receita para fazer face a esse investimento. Há aqui uma condição que não era esperada. Podemos recuar um mês e sabemos que a expectativa era outra. Portanto, vai ser necessário reajustar o tipo de apoios e é importante que cheguem tão breve quanto possível às empresas.

Ana Laranjeiro é jornalista do Dinheiro Vivo

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