Transportadoras de mercadorias a cair 70% avançam com 'lay-off'

"O setor está a viver um drama", revela a presidente da ANTP. Com frotas paradas, empresas não conseguem escapar a cortes e redução de pessoal. Só nos combustíveis, perdas passam os dois terços.

As empresas de transporte de mercadorias estão perante "uma situação muito preocupante e alarmante" devido à pandemia de covid-19. A grande maioria tem as frotas estacionadas e muitas já foram obrigadas a aderir ao lay-off, revela Sónia Valente, presidente da Associação Nacional das Transportadoras Portuguesas (ANTP).

A redução drástica da atividade industrial e o encerramento de praticamente todas as unidades de retalho não permitiu outra solução. Em consequência da paragem da economia, o transporte de matérias perigosas caiu mais de dois terços.

"O setor vive, neste momento, um drama. Temos 70% das empresas nossas associadas com as frotas paradas", adianta a presidente da ANTP. Em meados de março, "as exportações e importações pararam, a economia parou", e deixou de haver praticamente movimento de mercadorias, diz. André Matias de Almeida, porta-voz da Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias (Antram), adianta que o impacto da pandemia do novo coronavírus "está a ser brutal", com as empresas a registarem "quebras acima dos 60% na atividade" e "várias a aderirem ao lay-off". No transporte de combustíveis, "a quebra é de pelo menos 65%".

Adaptar-se para perder menos

Na Transportes Paulo Duarte há, desde 1 de abril, 60 colaboradores em casa em regime de lay-off. Como explica o presidente do grupo, José Paulo Duarte, na área do transporte de combustíveis temos uma paragem da atividade de 70%. "Esta é uma situação nova para todos nós, há empresas com dificuldades brutais e não têm dinheiro para pagar salários", diz. No caso da Paulo Duarte, nem tudo é negativo. "Como trabalhamos com a área alimentar, estamos um pouco acautelados", adianta.

O grupo Urbanos já colocou 15 dos 16 colaboradores da área da logística de arte em lay-off no início de abril, mas ainda tem 301 funcionários a laborar, conta José Bourbon Ribeiro, presidente executivo. O gestor adianta que as quebras de receitas rondam os 35% e admite que a situação se agudizará, obrigando a alargar o lay-off a mais trabalhadores. Mas será "de forma menos violenta do que sucedeu na arte", acredita.

Nesta pandemia, a Urbanos alocou mais meios para áreas como as mudanças e a distribuição, que estão a "funcionar bem". Em simultâneo, está a dar resposta ao transporte de mercadorias de emergência, mas "a preço de custo, que tem ajudado a segurar o negócio, mas sem margem".

"Com a paragem abrupta da economia em Portugal e no mundo, tivemos de parar algumas operações", "foi uma redução drástica na indústria, no retalho, pouco mais do que as operações farmacêuticas estão a funcionar", conta, desalentado, Nuno Rangel, CEO do grupo Rangel. "Estamos a sentir impactos muito significativos" e, por isso, "a pensar em aderir ao lay-off".

As transportadoras demonstram alguma cautela na divulgação de informação. Uma das empresas contactadas pelo DN/Dinheiro Vivo, e que pediu anonimato, admite que o negócio "está a correr muito mal" e que só residualmente consegue fazer uma carga completa no rodoviário. Os clientes fecharam portas, não entra nem sai mercadoria. Muitas fábricas encerraram, suspendendo as exportações, e "não há informação de quando vão reabrir".

Esta empresa admite perdas superiores a dez milhões de euros entre abril e meados de maio, tendo colocado 75% da sua força laboral em lay-off. Uma das fortes dúvidas que assaltam esta transportadora "é quando é que as fábricas vão abrir, a que ritmo e em que circunstâncias".

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