Trabalhadores da Autoeuropa confiantes num acordo com a administração

A administração também acredita que será possível chegar a um novo acordo após a eleição da nova Comissão de Trabalhadores da Autoeuropa

Os trabalhadores da Autoeuropa cumprem esta quarta-feira uma greve histórica, a primeira por razões laborais na fábrica de automóveis de Palmela, mas acreditam que ainda é possível um acordo com a administração da empresa.

O trabalho aos sábados, que está previsto nos novos horários de 18 turnos por semana, considerados fundamentais para atingir os níveis de produção previstos para o novo veículo T-Roc atribuído pela Volkswagen à fábrica de Palmela, está na origem do conflito laboral, com os trabalhadores a considerarem insuficientes as contrapartidas dada pela empresa.

Os trabalhadores alegam que, além do transtorno que a obrigatoriedade do trabalho ao sábado iria provocar nas suas vidas, a compensação financeira atribuída pela empresa também é muito inferior ao que iriam receber pelo trabalho extraordinário aos sábados.

"A marcação da greve fica a dever-se à intransigência da administração e à obrigatoriedade do trabalho aos sábados sem contrapartidas financeiras adequadas. Se a Autoeuropa pagasse os sábados como trabalho extraordinário, num único sábado ganhávamos praticamente o mesmo do que aquilo que vamos ganhar por fazer três sábados", disse à agência Lusa um trabalhador que pediu anonimato.

"De acordo com o novo modelo de horários, cada trabalhador irá rodar nos turnos da manhã e da tarde durante seis semanas e fará o turno da madrugada durante três semanas consecutivas", acrescentou, convicto de que as "compensações financeiras propostas pela Autoeuropa são insuficientes face à nova organização do trabalho".

Uma posição corroborada por outros trabalhadores da Autoeuropa que estão em greve, mas que ainda acreditam num entendimento com a administração para a implementação dos novos horários de laboração contínua.

Apesar da greve desta quarta-feira, que obrigou a uma paragem da produção, a administração da Autoeuropa só deve retomar o processo negocial após a realização das eleições para a nova Comissão de Trabalhadores, marcadas para 3 de outubro, seguindo a tradição de privilegiar as negociações com os representantes eleitos pelos trabalhadores.

E, tal como os trabalhadores, também a administração da Autoeuropa acredita que será possível chegar a um novo acordo após a eleição da nova Comissão de Trabalhadores da Autoeuropa.

Em carta aos funcionários da empresa antes da votação do pré-acordo no passado mês de julho, responsável pelos Recursos Humanos e Produção da Autoeuropa, Jürgen Haase, alertava para a necessidade dos 18 turnos de trabalho por semana para garantir os níveis de produção previstos para o novo modelo T-Roc.

Na referida, carta, Jürgen Haase, que foi mandatado pela Volkswagen AG para acompanhar as negociações do pré-acordo, lembrava que a decisão de escolher esta fábrica para a produção a nível mundial do T-Roc, demonstrava um "grande voto de confiança" nos trabalhadores e na fábrica de Palmela.

"A Volkswagen AG investiu aqui muito dinheiro. A fábrica foi transformada para que possam cumprir o programa de produção exigido. Isso só será possível com um modelo de turnos contínuos. Para tal a produção aos sábados é inevitável", acrescentava o responsável da Volkswagen.

Apesar do aviso do responsável da Volkswagen, os trabalhadores não só rejeitarem o pré-acordo que tinha sido negociado pela Comissão de Trabalhadores, como também decidiram avançar para a greve que está a decorrer esta quarta-feira.

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