TAP deverá perder 20 aviões e aplicar cortes de custos com trabalhadores de 20%

A imprensa desta sexta-feira avança com alguns detalhes do plano de reestruturação da TAP, nomeadamente uma redução de frota e diminuição dos custos com trabalhadores.

O plano de reestruturação da TAP tem de chegar a Bruxelas até dia 10 de dezembro. O Expresso avança esta sexta-feira que a companhia aérea vai ter uma redução da sua frota: vai passar das suas atuais 108 aeronaves para 85 aviões. Além disso, está prevista uma redução do número de trabalhadores e que a empresa vá ter disponibilidade financeira para pagar as dívidas de 2025.

O plano de reestruturação desenhado nomeadamente pela consultora BCG e Deutsche Bank. A sua estrutura de base já está definida, de acordo com o Expresso, embora sejam admitidos ajustes. Em cima da mesa está assim uma transformação da dimensão da empresa, com uma redução do número de aviões para cerca de 85 em 2021, sendo que a este número juntam-se os 15 cuja data de entrega foi renegociada com os fabricantes e já adiada.

Por outro lado, a base do plano prevê uma diminuição dos custos com os trabalhadores de, pelo menos, 20% e que serão para todos: pessoal de terra, tripulantes e pilotos. Para se ter uma ideia, em 2019, os custos ascenderam a cerca de 700 milhões de euros. O Expresso indica que vão ser despedidos menos trabalhadores, se houver uma redução de massa salarial (ainda que temporária), ou mais, se os cortes forem mais ligeiros.

A companhia aérea terá ainda pedido autorização ao Executivo de António Costa para proceder a mudanças nos acordos de empresa, pelo que haverá mudanças nessa matéria. Além disso, foi também pedida autorização para que possa haver um pacote de pré-reformas voluntárias.

Suspensão do lay-off

O Jornal Económico, por sua vez, avança esta sexta-feira que a administração da TAP vai hoje reunir-se com sindicatos para suspender o regime de lay-off, que afeta a totalidade dos cerca de nove mil trabalhadores do grupo que estão nesse regime de apoio, com diferentes percentagens de aplicação de redução ou suspensão de trabalho. Isto a poucos dias de a empresa apresentar o seu plano de reestruturação.

Já recentemente, o Jornal Económico tinha avançado que o plano de reestruturação prevê cortes na massa salarial de 20 a 30% e uma redução de 20% nos salários dos trabalhadores. Uma informação que foi ontem confirmada pelo site noticioso Eco.

Em simultâneo, está prevista uma redução mínima de 20% nos salários dos profissionais que não serão afetados pela reestruturação. A administração da companhia área portuguesa está focada em proteger os salários mais baixos e irá fixar um teto mínimo para os cortes, que deverão também estender-se aos complementos.

TAP precisa de uma injeção de capital que pode ir até aos 4 mil milhões

O Sindicato Nacional do Pessoal de Voo e da Aviação Civil (SNPVAC) admite que a TAP precisa de uma nova injeção de capital que pode ascender a quatro mil milhões de euros. Em entrevista à RTP3, nesta segunda-feira, 23 de novembro, Henrique Louro Martins, salientou que o processo de reestruturação "já começou" para os tripulantes de cabine da TAP "tanto em termos salariais como em termos de saídas dos trabalhadores", uma vez que várias de dezenas dos contratos a prazo que não foram renovados eram de tripulantes.

"Quando se fala com esta ligeireza de despedimentos numa empresa que contribui com 2% para o PIB nacional, enquanto se fala na diminuição salarial, há que encarar o problema de frente e perceber que não é com redução de salários que a TAP vinga no mercado do transporte aéreo. A TAP necessita de uma injeção de capital forte e profunda para que daqui a um ano, dois, daqui a mais 75 anos que esperemos que dure, consiga ser uma empresa fortemente consolidada em termos financeiros. É preciso apostar numa injeção de capital para a empresa", afirmou.

Esta injeção de capital seria para somar aos 1.200 milhões de euros que o grupo TAP está a receber desde o verão, no âmbito de uma Ajuda de Estado negociada entre o governo e Bruxelas. "Tenho medo de os dizer para não ser mal interpretado. Conseguimos falar aqui de quatro mil milhões de euros e não andaria longe do que estou a dizer", admitiu.

Questionado sobre para que seria canalizado esse dinheiro, Henrique Louro Martins sustentou que seria para que a transportadora possa ficar numa situação "em que possa ter um futuro, em que possa sustentar-se sozinha e seja uma empresa independente e que tenha um caminho na rota do sucesso".

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