Seis em cada dez portugueses fazem férias em casa própria

A hotelaria, desde hotéis de luxo a parques de campismo, recebeu seis milhões de dormidas de portugueses, 30% do total. Maioria das casas de férias são no Norte e no Centro

A maioria dos portugueses não fizeram férias fora de casa no verão passado. E, dos que foram viajar, a grande parte ficou em alojamento particular gratuito. Ou seja, em casa própria ou em casa de família e de amigos. A hotelaria, que na classificação do Instituto Nacional de Estatística (INE) vai de hotéis de luxo a parques de campismo, passando por aldeamentos de férias e motéis, recebeu pouco mais de seis milhões de dormidas de portugueses entre julho e setembro de 2016. O alojamento particular gratuito registou mais do dobro, ou seja, 13,8 milhões de dormidas. São quase 70% do total de dormidas. Os portugueses - os números não enganam - preferem passar férias em casa própria, apesar dos residentes terem realizado mais 9,6% de viagens turísticas do que em 2015, graças à maior folga nos orçamentos das famílias e ao aumento da confiança.

E há condições para fazer férias sem pagar. Portugal Continental dispõe de cerca de 5,6 milhões de alojamentos familiares e de 1,1 milhões de alojamentos de uso sazonal ou secundário. Segundas casas, por outras palavras. O INE não dispõe de informação quanto aos proprietários destes alojamentos, que poderão pertencer a milhares de emigrantes que constroem casa em Portugal, tal como podem pertencer aos novos empresários do alojamento local - há quase 35 mil registados no Registo Nacional de Turismo. Mas é possível comparar a informação geográfica destes imóveis com o fenómeno do alojamento particular gratuito onde os portugueses se alojaram no último verão.

Só 16,2% dos residentes fizeram férias em julho, 24,8% fizeram-no em agosto e 12,4% deixaram o turismo para setembro. Com exceção de dezembro de 2015, em que 14,5% dos residentes fizeram viagens turísticas, foram aqueles três meses que mais portugueses movimentaram cá dentro. Para onde foram?

A hotelaria do Algarve recebeu um terço dos residentes que fizeram férias no verão passado, ou seja, quase 2,2 milhões de dormidas, das quais metade se concentraram em agosto. Mais do dobro disso, ou seja, mais de quatro milhões de dormidas no Algarve foram em alojamento particular gratuito.

No entanto, segundo os censos, só cerca de 10% dos alojamentos de uso sazonal do continente ficam no Algarve e esta região é a que menos "sofre" com os portugueses que ficam alojados gratuitamente (só 48% em todo o verão).

É no Centro e no Norte, com 78,9% e 76,8% de percentagem de turistas portugueses que ficam em alojamento particular gratuito, que o desafio será maior para a hotelaria. Este valor revela que, afinal, foi no Centro e no Norte que mais pernoitaram os portugueses no verão: 4,9 e 4,2 milhões, respetivamente. Só que não pagaram por isso. Os dados dos censos, novamente, confirmam: o Centro possui cerca de 353 mil alojamentos sazonais e o Norte tem quase 325 mil. O dobro do Algarve. No Norte, a proporção aproxima-se de uma dormida em hotel para quatro dormidas sem pagar. E, no Centro, a proporção é mais de uma para cinco.

A Área Metropolitana de Lisboa acolheu pouco mais de 900 mil dormidas de portugueses na hotelaria durante o verão passado, mas teve 3,6 milhões de dormidas (74,5%) em alojamento particular gratuito. E a região ainda tem mais alojamentos de uso sazonal ou secundário do que o Algarve (171 mil).

A hotelaria do Alentejo também só conseguiu albergar cerca de 30% das dormidas dos turistas portugueses no verão passado (426 mil). Mais de 1,3 milhões de noites foram passadas em alojamento gratuito, numa região que dispõe de pouco mais de cem mil residências de uso sazonal ou secundário.

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