Salários: Empregos tecnológicos pagam cada vez melhor

Em Portugal, há saltos de até dez mil euros no teto salarial das profissões mais procuradas, como data & analytics manager, que pode chegar agora a receber 80 mil euros ao ano.

É um dos poucos setores em contraciclo económico. Nas tecnologias de informação (TI), a escassez de talento disponível, ainda muito abaixo da procura, continua a fazer mexer os intervalos salariais em Portugal.

Pelos números da consultora Robert Walters, os salários das profissões das TI continuam a subir este ano, tendência que tem sido visível ao longo dos últimos anos. Há três perfis tecnológicos em destaque em 2021: data & analytics manager, DevOps engineer e cyber security manager. Os números da consultora resultam de um inquérito anual, que estabelece intervalos salariais anuais, divididos pelos anos de experiência (entre dois e cinco anos, cinco e dez anos e dez ou mais anos de experiência). Devido à novidade de alguma destas profissões no mercado, a área de dez ou mais anos de experiência nem sempre existe.

Para este ano, especificamente entre os três perfis mais procurados, as melhores remunerações em início de carreira pertencem aos data & analytics manager, com um intervalo salarial entre os 65 mil e os 80 mil euros anuais. Feitas as contas, a remuneração mensal destes profissionais poderá ultrapassar os 5700 euros, no ponto máximo do intervalo. No ano passado, o intervalo estava entre os 68 e os 70 mil euros anuais (2 a 5 anos de experiência).

Já entre cinco e dez anos de experiência, a remuneração anual de um data &analytics manager varia entre os 90 e os 100 mil euros anuais. No melhor cenário possível, feita a divisão por 14 meses, o salário mais alto para este tipo de experiência ultrapassará os 7100 euros. Face a 2020, o intervalo salarial aumentou dez mil euros.

No caso de DevOps engineer, entre dois e cinco anos de experiência, o teto máximo subiu cinco mil euros face a 2020, ficando agora entre os 50 e os 60 mil euros. Até dez anos de experiência este tipo de profissional poderá ganhar entre 70 e 85 mil euros.

Por mês, a remuneração mensal rondará os seis mil euros, extremo máximo do intervalo.

Por fim, a completar o top 3, um perfil ligado à área da segurança: cyber security manager. A Robert Walters estima que, com um máximo de cinco anos de carreira, em 2021 o salário anual possa estar entre os 35 a 45 mil euros. Já com até dez anos de experiência, um profissional destes poderá ganhar entre 55 a 70 mil euros por ano.

Note-se que, entre os três perfis mais procurados, esta é a única profissão com mais de dez anos de experiência. Nesta situação, este perfil poderá ganhar entre 75 a 90 mil euros por ano.

Testers e analistas de qualidade recebem menos

A lista de intervalos salariais anuais da Robert Walters é extensa, contemplando áreas como gestão, desenvolvimento, produto, vendas, ERP (software de gestão de processos), segurança, data e analítica, administração e infraestruturas.

Entre dois e cinco anos de experiência, são os testers e QA analysts (analistas de qualidade) quem menos recebe: entre 25 e 35 mil euros anuais. Ou seja, um salário mensal poderá ficar pelos 2500 euros, no máximo. Note-se ainda que esta é das únicas profissões da tabela onde não há previsão de aumento salarial em 2021, em nenhum dos diferentes anos de experiência.

Com até uma década de experiência, um tester/QA analyst poderá ganhar 45 a 50 mil euros por ano.

Já no outro extremo, as melhores remunerações numa fase inicial de carreira pertencem aos DevOps engineers (entre 50 a 60 mil euros, uma subida de cinco mil euros), aos data architects (55 a 65 mil euros/ano) e aos data scientists (50 a 80 mil euros anuais).

Chief information officer com baixa de salário

De acordo com a tabela salarial disponibilizada, na área da gestão, chief information officer é das poucas profissões com redução de salário anual em 2021. Se em 2020 o intervalo salarial variava entre 95 e 125 mil euros, neste ano a remuneração anual passa a ser de 90 a 120 mil euros.

Já na área de desenvolvimento, há uma relativa estabilização dos salários, como é o caso dos OutSystems developers, que continuam com os intervalos salariais iguais aos de 2020. Com dois a cinco anos de experiência, o salário anual varia entre 30 r 45 mil euros; 45 ra 55 mil euros anuais até dez anos de experiência e, em fases mais avançadas, entre 55 e 75 mil euros.

Salários abaixo do que se paga no norte da Europa

Apesar de muito acima da média nacional, as remunerações da área da tecnologia em Portugal ainda estão abaixo dos valores do norte da Europa. Ruben Vidal, head of IT da Robert Walters, partilha que muitas destas profissões têm "salários mais globais", tendo em conta que "muitos dos trabalhos são feitos de forma remota". Há até quem aproveite para trabalhar para empresas nórdicas a partir daqui, fazendo uso do baixo custo de vida em Portugal.

"Uma boa ideia é viver em Portugal, devido ao custo de vida, e ter um contrato com uma empresa norte-americana, por exemplo, ou com países do norte da Europa, que normalmente têm salários mais altos do que em Portugal", exemplifica. "A maioria dos talentos que está a vir para Portugal vem por essa razão, pelo reduzido custo de vida."

Num momento em que o trabalho remoto quebrou distâncias, Ruben Vidal nota que "não é muito comum encontrar trabalhos totalmente remotos em Portugal", mas que a "pandemia tem permitido às empresas mudar do modelo tradicional para começar a apostar em novas alternativas". Uma delas são modelos mais flexíveis, algo que para o head of IT da consultora deverá estar em cima da mesa. "Temos de ser mais orientados para objetivos e não gastar horas sentados num escritório", sublinha.

Para fazer frente à procura de talento nas TI, Vidal nota a importância de apostar no "talento da América Latina e América do Sul". "Acho que é um fator-chave, há candidatos muito bons nessas regiões e temos de tornar as coisas mais fáceis, não só para Portugal mas também para Espanha e o resto da Europa. Temos de tentar aproveitar esses profissionais talentosos e trazê-los para aqui, onde temos uma elevada procura." No entanto, a atual situação de pandemia cria entraves. "Com a situação atual, todos os trâmites estão a demorar demasiado tempo e precisamos de fazer as coisas mais depressa."

Cátia Rocha é jornalista do Dinheiro Vivo

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