Ryanair condena adesão dos pilotos alemães à greve de sexta-feira

Companhia aérea sugeriu uma arbitragem entre quatro a cinco semanas de negociações, enquanto o sindicato propôs cinco meses

A Ryanair condenou esta quinta-feira a adesão dos pilotos alemães à greve dos tripulantes de cabine marcada para sexta-feira, que afetará seis países europeus, incluindo Portugal, considerando que a paralisação é "desnecessária".

Em comunicado, o sindicato VC informou que a convocatória de greve abrange todos os pilotos das bases alemãs e "todos os voos que partem da Alemanha entre as 03:01 de sexta-feira até às 02:59 de sábado (horas locais) serão afetados", além de alegar que a companhia aérea irlandesa ainda não melhorou a sua oferta desde a última paralisação.

No entanto, a Ryanair contrariou esta quinta-feira a posição do sindicato numa nota distribuída, na qual explica que enviou na quarta-feira a cópia de uma carta ao sindicato VC, a pedido do mesmo, depois de sete horas de negociações na terça-feira, em Frankfurt.

Nesta carta, a Ryanair refere que foi estabelecido um acordo com o sindicato VC na Alemanha para que se inicie um processo de arbitragem dentro de sete dias, apesar de o VC reivindicar 14 dias.

A companhia sugeriu uma arbitragem entre quatro a cinco semanas de negociações, enquanto o sindicato propôs cinco meses.

Além disso, menciona que convidou o sindicato VC a reunir-se na próxima quinta-feira em Dublin para finalizar os acordos.

"É profundamente dececionante que alguns dos nossos clientes e do pessoal na Alemanha tenham os seus voos interrompidos na sexta-feira por uma greve desnecessária convocada num curto espaço de tempo pelo [sindicato] VC, que é controlado pela Lufthansa", refere a companhia aérea Ryanair no comunicado.

Na nota hoje divulgada lembra também que se trata de "outro exemplo" de uma greve que "é organizada na Ryanair por um sindicato controlado por trabalhadores de companhias aéreas concorrentes".

Na quarta-feira, a companhia aérea de baixo custo Ryanair reviu em baixa o número de voos que vão ser cancelados na sexta-feira devido à greve para 150, face aos 190 inicialmente previstos.

A greve dos tripulantes de cabine afetará as bases de Portugal, Espanha, Bélgica, Holanda, Itália e Alemanha, tendo os pilotos da Holanda, associados do VNV, anunciado que se juntavam também ao protesto.

A companhia aérea, que está há vários meses envolvida em disputas laborais, assegurou que enviou mensagens a todos os clientes afetados informando-os do cancelamento do seu voo, assim como das opções disponíveis.

Em causa, segundo a companhia, estão 30 mil de um total de 450 mil passageiros.

Os tripulantes têm reivindicado a aplicação das leis laborais nacionais e não as irlandesas.

Exclusivos