Processo de certificação do Boeing 737 MAX 8 vai ser objeto de auditoria

Auditoria vai "reunir um histórico factual e objetivo sobre as ações que conduziram à certificação do 737 MAX 8".

O Departamento dos Transportes do Governo dos EUA confirmou esta terça-feira ter lançado uma auditoria à certificação do Boeing 737 MAX 8, aparelho ligado a duas tragédias, a mais recente em 10 de março na Etiópia.

Esta auditoria, ordenada pela secretária dos Transportes, Elaine Chao, visa "reunir um histórico factual e objetivo sobre as ações que conduziram à certificação do 737 MAX 8", conforme comunicado do Departamento, que confirmou informações avançadas pela comunicação social.

O Departamento da Justiça, por sua parte, abriu um inquérito criminal sobre o desenvolvimento deste avião, segundo o Wall Street Journal.

"A segurança é a prioridade número um do Departamento e estamos muito entristecidos pelos dramas dos recentes acidentes de dois Boeing 737 MAX 8, na Indonésia e na Etiópia", avançou o secretário da Justiça.

Um 737 MAX 8 da Etiópia Airlines despenhou-se em 10 de março a sudeste de Adis Abeba, provocando a morte dos 157 ocupantes.

Este foi o segundo acidente mortífero em menos de cinco meses deste avião, que entrou em serviço em maio de 2017, depois do que envolveu o aparelho da Lion Air, em outubro, que provocou 189 mortos, na Indonésia.

As similitudes entre os dois acidentes permitiram a especulação com a possibilidade de a Boeing ter tardado a corrigir um sistema de assistência ao voo conhecido pelo acrónimo de MCAS, destinado a impedir o avião de "desligar", por falta de capacidade de carga suficiente.

Aquelas parecenças suscitaram interrogações sobre a certificação do avião, do qual só uma parte foi examinada, uma vez que o 737 MAX não é um avião totalmente novo, mas uma versão melhorada do 737 NG, o monocolor que é um sucesso de vendas da Boeing.

O dispositivo MCAS foi desenvolvido para o MAX devido aos motores mais pesados, que o fazem correr o risco de "desligar".

A agência federal de aviação (FAA, na sigla em inglês) está sob pressão porque confiou a empregados da Boeing a tarefa de inspecionar e aprovar o avião.

"A Boeing solicitou uma emenda deste tipo de certificação em janeiro de 2012 e a agência federal da aviação concedeu-a em março de 2017", detalhou hoje o Departamento dos Transportes.

A auditoria vai ser entregue a uma autoridade independente, que pode transmitir as suas conclusões às autoridades judiciais.

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