Portugal acima da média da UE no uso de serviços como o WhatsApp

Pandemia acelerou o uso de Facebook Messenger, WhatsApp, Netflix ou Spotify. Mais jovens são os grandes utilizadores.

A pandemia de covid-19 gerou "um forte crescimento" da utilização de serviços over-the-top (OTT), sobretudo em chamadas de voz ou vídeo, video streaming on demand, frequência de cursos online e utilização de plataformas de comércio eletrónico. Segundo revelou ontem a Autoridade Nacional de Comunicações (Anacom), Portugal está acima da média da União Europeia (UE) no uso de serviços OTT como Facebook Messenger, WhatsApp, Skype, bem como plataformas como Netflix ou Spotify.

"Em 2021, 80% dos utilizadores de internet efetuaram chamadas de voz ou vídeo, mais dez pontos percentuais do que em 2020 e mais 27 pontos percentuais do que em 2019", lê-se na análise do regulador, posicionando Portugal como o nono país onde mais se utilizam este tipo de serviços.

A evolução do uso de plataformas OTT é gritante. "Caso se considere o total de indivíduos e não apenas os utilizadores de internet, a penetração destes serviços seria de 66%, ultrapassando a média europeia (mais um ponto percentual) e passando da 23.ª para a 14.ª posição do ranking da UE27", acrescenta a Anacom. Em 2019 Portugal "ocupava o último lugar deste ranking", note-se.
O regulador aponta que se trata dos "maiores aumentos contabilizados desde que se iniciou a recolha desta informação em 2008". "A dinâmica terá acelerado a partir de meados da segunda década deste século, mas o crescimento ocorrido em 2020 e 2021 estará relacionado com a alteração de comportamentos resultante da pandemia de covid-19", lê-se na análise.
Serviços de mensagens instantâneas foram utilizados "por 91% dos utilizadores de internet", em 2021.

Neste parâmetro, Portugal é o sexto país da UE, 12 pontos percentuais acima da média europeia. Se se considerasse o total de indivíduos, a penetração deste serviço seria de 75%, ainda assim cinco pontos percentuais acima da média europeia, posicionado Portugal no 12.º lugar dos países da UE com maior uso das instant messaging.

Observando as plataformas como Netflix, a Anacom indica que, em 2020, "cerca de 34% dos utilizadores de internet subscreveram serviços video streaming on demand", mais 20 pontos percentuais face a 2018 (último ano com dados compilados). Portugal é, neste ponto, o 15.º país da UE que mais plataformas de streaming de video on demand consome. Se se considerasse o total de indivíduos, a Portugal cairia uma posição nesse ranking, pois teria 26% de penetração destes serviços - mais 16 pontos percentuais face a 2018.

O regulador liderado por João Cadete de Matos também analisou a leitura de notícias na internet, o uso das redes sociais, a audição de música em plataformas digitais, o recurso a serviços financeiros digitais (como home banking) e a plataformas de comércio eletrónico. Nestes casos, a Anacom diz ter registado "níveis de participação superiores a 50% entre os utilizadores de internet em Portugal".
Mais uma vez, também na maioria destes casos, Portugal ficou "significativamente" acima da média da União Europeia. Só os serviços de banca e o comércio eletrónico "eram mais populares na UE27 do que em Portugal".

"Os indivíduos mais jovens, com o ensino superior, estudantes e com maiores rendimentos apresentaram uma maior propensão para a utilização dos diversos serviços over-the-top analisados", lê-se. Foram eles os responsáveis pelo crescimento do uso de OTT no caso das chamadas de voz pela internet e do video streaming on demand.
No entanto, para alguns serviços OTT "o crescimento anual foi maior para os grupos com menor utilização, como é o caso dos reformados e indivíduos com 45 ou mais anos na realização de chamadas de voz e vídeo pela internet e dos desempregados e indivíduos com 55 a 64 anos na utilização de instant messaging".

José Varela Rodrigues é jornalista do Dinheiro Vivo

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