Portos marítimos prometem bater novos recordes em 2017

Governo vai investir 2,5 mil milhões de euros entre 2017 e 2026 para que, nos próximos dez anos, a movimentação de contentores aumente 200% nos portos do continente

Os números não deixam margem para dúvidas. Com um volume de carga movimentada de mais de 93,9 milhões de toneladas em 2016, os principais portos comerciais registaram a sua melhor marca de sempre, de acordo com os números da Autoridade da Mobilidade e dos Transportes (AMT). A ajudar estes dados da atividade portuária estão também as exportações nacionais, que tiveram um acréscimo de 4,3% no ano passado.

O governo está atento a este fenómeno e lançou nos últimos dias de 2016 a Estratégia para o Aumento da Competitividade Portuária, a implementar entre 2017 e 2026. O executivo prevê um investimento de 2,5 mil milhões de euros (que abrange todos os portos do continente) com o objetivo de triplicar a capacidade portuária no espaço de dez anos e impulsionar o crescimento económico. Entre 2005 e 2015, registou-se um crescimento de 42% na carga global, esperando-se uma tendência semelhante na próxima década, a começar já em 2017. As previsões governamentais apontam agora para um crescimento de 88% da carga total - mais 78 milhões de toneladas - na sequência do investimento previsto até 2026.

"Os dados de janeiro de 2017 anteveem um ano de novos recordes para os portos do continente", pode ler-se no documento apresentado na semana passada pela ministra do Mar, Ana Paula Vitorino, no Porto de Leixões. No evento de apresentação do plano de investimentos, a ministra disse acreditar que até 2026 a movimentação de contentores vai subir 200% nos portos do continente, um potencial de crescimento que já está consolidado, de acordo com a responsável.

Por seu lado, a AMT é mais cautelosa nas previsões: "Atendendo a uma razoável irregularidade na distribuição mensal da carga movimentada ao longo do ano, o comportamento dos portos no mês de janeiro não permite uma extrapolação linear para o ano todo", explicou João Carvalho, presidente da Autoridade da Mobilidade e dos Transportes, em declarações ao DN/Dinheiro Vivo.

Para já, o aumento de 5,1% do volume de carga movimentada (mais 4,5 milhões de toneladas) face a 2015 deveu-se, sobretudo, ao Porto de Sines, responsável por 51,2 milhões de toneladas, mais 7,2 milhões de toneladas (um aumento de 16,4%) em relação ao ano anterior. Sines destacou-se assim novamente como líder no sistema portuário, com uma quota de mercado de 54,5%, um desempenho que se deveu ao facto de o Terminal Oceânico de Leixões ter estado inoperacional entre março e outubro, o que levou a que cerca de 1,7 milhões de toneladas de petróleo bruto, transportadas em navios de grande dimensão com destino a Leixões, tivessem passado por Sines no ano passado. A seguir a Sines, Leixões detém 19,5% da quota de mercado e Lisboa é responsável por 10,9%.

"Dado que a maioria das importações e exportações de bens utilizam o transporte marítimo e que em 2016 registaram, respetivamente, acréscimos em valor de mais 2,8% e mais 4,3%, é expectável um impulso positivo na atividade portuária", explicou o presidente da AMT. Na opinião deste responsável, o transporte marítimo e o sistema portuário têm um papel de apoio na atividade económica, principalmente no comércio internacional.

"Foi um ano de crescimento global, que indicia boas perspetivas futuras de crescimento para os portos nacionais", refere a Administração do Porto de Lisboa (APL), em declarações ao DN/DV. Dos portos com variações negativas em 2016, destacou-se precisamente o Porto de Lisboa, que fechou o ano com quase menos 1,4 milhões de toneladas de carga movimentada, por causa da greve dos estivadores, que se prolongou durante 40 dias e provocou uma quebra de 18,7% no movimento de contentores.

"2017 será o ano de relançamento do Porto de Lisboa. Os principais desafios são a recuperação dos serviços regulares, o início de operação de novas linhas, o crescimento efetivo do Porto de Lisboa na movimentação de mercadorias, sobretudo na contentorizada", antevê a APL.

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