Pandemia. Jovens são agora os únicos afetados com perda de emprego

Até aos 25 anos, perderam-se quase 60 mil postos de trabalho. Trabalhadores mais velhos, pelo contrário, recuperaram e estão num máximo de sempre.

O mercado de trabalho português reduziu em março as perdas de emprego líquidas face ao período pré-pandemia a pouco mais de 55 mil postos de trabalho, explicadas integralmente com o recuo no emprego jovem num momento em que o nível de postos de trabalho ocupados por trabalhadores mais velhos já excede o de fevereiro de 2020 e atinge um máximo histórico.

As estimativas provisórias do Instituto Nacional de Estatística para o nível de emprego registado em março, divulgadas ontem, colocam novamente a população empregada acima dos 4,7 milhões de pessoas. É o número mais elevado desde novembro do ano passado, quando o mercado de trabalho assistiu a um breve período de recuperação, interrompido pelo novo confinamento da terceira vaga de Covid-19.

Face a fevereiro do ano passado, mês anterior à chegada efetiva da pandemia a Portugal com restrições à atividade, o INE contabiliza em março menos 55,3 mil postos de trabalho, num decréscimo de 1,2%.

Analisando as estimativas de emprego por grupo etário, verifica-se que esta perda líquida de postos de trabalho recai essencialmente nos trabalhadores com idades que vão dos 16 aos 24 anos, onde em março se contavam menos 59 800 postos de trabalho do que no último mês do período pré-pandemia.

De então para cá, o trabalho jovem regista ainda uma quebra de 20% no emprego, que em março se resumia a 239 200 postos de trabalho ocupados por menores de 25 anos após nova queda mensal: no último mês houve mais 1300 jovens sem trabalho. Já em fevereiro do ano passado, havia 299 mil jovens integrados no mercado de trabalho.

Acima dos 25 anos de idade, porém, o retrato do mercado de trabalho é já outro. O nível de emprego está a subir e acima mesmo do período pré-pandemia. Na verdade, está num máximo de sempre no histórico de dados mensais de emprego do INE, com 4 461 mil trabalhadores mais velhos integrados no mercado

Comparando com fevereiro de 2020, há agora mais 4500 postos de trabalho ocupados, num crescimento de 0,1%.

Os dados deste ajustamento na estrutura etária do emprego são consistentes com aqueles que, ao longo dos últimos mês, têm saído dos centros de emprego: são os trabalhadores mais jovens, e contratados a prazo, aqueles que mais têm feito aumentar as inscrições no desemprego.

Recorde-se que as medidas de apoio à manutenção do emprego criadas na resposta à Covid-19, como o lay-off simplificado e o apoio à retoma progressiva de atividade, têm privilegiado a proteção do emprego permanente, não proibindo a não renovação de contratos a prazo pelas empresas beneficiárias das medidas.

Maria Caetano é jornalista do Dinheiro Vivo

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