País tem de crescer como em 2007 para Costa cumprir meta

Pior está o investimento, que terá de crescer 7,3% nos próximos trimestres (nível só superado em 1998) para chegar aos 4,9% anuais. Exportações também estão em risco

O crescimento da economia nos próximos três trimestres (do 2.º ao 4.º) terá de ser o mais pujante dos últimos nove anos para chegar aos 1,8% previstos pelo governo.

Isto é, como o produto interno bruto (PIB a preços reais, constantes) cresceu 0,9% no primeiro trimestre face a igual período de 2015, os registos trimestrais que faltam terão de ser os melhores desde 2007 para o governo atingir a meta na qual baseou o Orçamento do Estado.

Estes cálculos, feitos com base em valores ontem divulgados pelo INE, mostram que a economia terá de avançar, em média, 2,1% no período de abril a dezembro para compensar os 0,9% neste arranque de ano.

Um dos maiores problemas surge no investimento, uma rubrica determinante para o crescimento atual e futuro e para a criação de emprego. O desfasamento desta variável (formação bruta de capital fixo) é enorme. Caiu 2,2% em termos homólogos (com redução de 0,6% no investimento total, que inclui variações de existências, correções contabilísticas) pelo que, percebe-se agora, terá de evoluir ao ritmo mais forte desde 1998 (7,3% em média até dezembro) para que se cumpram os 4,9% inscritos no OE e no Programa de Estabilidade apresentado a Bruxelas.

As exportações e o consumo, embora um pouco abaixo do que era suposto, estão mais ao alcance, em linha com os prognósticos. Precisam de evoluir a um ritmo parecido (um pouco melhor, apenas) ao do ano passado.

Os novos números do INE mostram que a marca para a economia, no primeiro trimestre, até saiu um pouco melhor do que a da estimativa rápida de meados de maio: o PIB avançou 0,9% em vez de 0,8%. O problema é que está demasiado longe da meta anual.

É verdade que há sinais ligeiramente mais positivos já no começo do segundo trimestre. Por exemplo, a produção industrial, em abril, avançou 3,5%, em termos homólogos (estava a cair 0,4% em março) e a faturação do comércio a retalho acelerou, passando de 2,4% em março para 2,9% em abril. O INE também revelou que "a confiança dos consumidores aumentou em maio, após ter diminuído no mês anterior, retomando a tendência ascendente observada desde o início de 2013". E que o clima económico, que inclui a confiança dos empresários, "aumentou entre março e maio".

No entanto, o perfil de crescimento, bem como o ritmo fraco, levantam dúvidas.

Primeiro, porque a economia está a crescer apoiada, exclusivamente, na procura interna. No primeiro trimestre, diz o INE, a procura externa deu um contributo de dois pontos para a evolução do PIB, mas a procura externa líquida penalizou a economia em 1,1 p.p. no primeiro trimestre. As vendas para o exterior subiram 2,2%; as importações aumentaram mais, 4,6%.

Já o consumo privado reforçou até 2,9%, "refletindo em larga medida a evolução da componente automóvel". Mas o investimento total caiu 0,6% no primeiro trimestre, o que não acontecia desde meados de 2013.

Mário Centeno, o ministro das Finanças, já veio a público dizer que "é necessário ter confiança", que "a expectativa é que ao longo do ano de 2016 essas taxas acelerem e que consigamos materializar os desejos todos e o que está no Orçamento".

Mas para Maria Luís Albuquerque, vice-presidente do PSD, "é irrealista e irresponsável insistir em manter um cenário em que já ninguém acredita".

No início de maio, a Comissão Europeia apontou para um crescimento de 1,5%; em abril, o FMI avançou com 1,6%; e, no final de março, o Banco de Portugal previu um crescimento de apenas 1,5%.

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