Moody's considera que venda à CTG pode ser "positiva" para a elétrica

A agência de notação financeira considera que o interesse de aquisição do consórcio chinês da energética pode ser bom, uma vez que o rating da China Three Gorges é mais elevado do que o da empresa nacional

A agência de notação financeira Moody's considera que, a concretizar-se, a Oferta Pública de Aquisição (OPA) da China Three Gorges (CTG) sobre a EDP - Energias de Portugal poderá ser "positiva" para a elétrica.

"A oferta da CTG poderá ser positiva para o perfil de crédito da EDP", já que poderão existir "sinergias operacionais e financeiras" dentro de um grande grupo de energia renovável e diversificado, avança a Moody's em comunicado.

A agência salienta ainda o apoio que poderá vir do maior acionista que tem um 'rating' de 'A1', enquanto a EDP conta com 'Baa3'.

Porém, a Moody's sublinha a incerteza sobre o sucesso da OPA, uma vez que a mesma foi lançada com "um modesto prémio para o mercado" e depende ainda de vários fatores, como a estratégia empresarial e a estrutura de capital da EDP, após a transação, o perfil de alavancagem do grupo e o tamanho da eventual participação da CTG.

"Tendo em conta a qualidade de crédito da CTG, o histórico como acionista da EDP e as declarações sobre a transação proposta, atualmente não prevemos que qualquer aumento da participação da CTG seja negativo para a EDP", anunciou a Moody's.

Sobre o impacto da transação na CTG, a agência de notação financeira considera que o 'rating' da empresa chinesa não será "imediatamente afetado".

Também a Standard & Poors (S&P) considerou hoje que proposta de compra da EDP pela CTG "não terá impacto no 'rating'" do grupo chinês, porque existe uma elevada probabilidade de "apoio extraordinário do Governo chinês se for necessário".

A CTG anunciou na sexta-feira a intenção de lançar uma Oferta Pública de Aquisição (OPA) voluntária sobre o capital da EDP, oferecendo uma contrapartida de 3,26 euros por cada ação, o que representa um prémio de 4,82% face ao valor de mercado e avalia a empresa em cerca de 11,9 mil milhões de euros.

A CTG, que já detém 23,27% do capital social da EDP, pretende manter a empresa com sede em Portugal e cotada na bolsa de Lisboa.

Caso a OPA sobre a EDP tenha sucesso, a CTG avançará com uma oferta pública obrigatória sobre 100% do capital social da EDP Renováveis, a 7,33 euros por ação.

O grupo chinês afirma, no anúncio preliminar da operação, que só lançará a OPA sobre a EDP se o Governo português não se opuser à operação.

O primeiro-ministro, António Costa, já disse que não tem "nenhuma reserva a opor" a que o grupo chinês realize a OPA sobre a EDP.

A EDP, por sua vez, já considerou que o preço oferecido pela China Three Gorges (Europe) para adquirir a elétrica portuguesa é baixo e "não reflete adequadamente o valor" da empresa.

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