OCDE. Custos laborais baixos e fundos europeus aguentam Portugal até 2021

OCDE espera "suavização do crescimento do consumo com um crescimento mais baixo dos salários" mas isso depois ajuda "o aumento das exportações"

A economia portuguesa deve conseguir aguentar um ritmo de crescimento abaixo, mas perto, de 2% nos dois próximos anos suportada por um crescimento bastante moderado dos custos do trabalho, por mais competitividade e pelo recebimento de fundos europeus que ajudarão o investimento e a criação de emprego, sobretudo em 2021, diz a Organização para o Crescimento e o Desenvolvimento Económico (OCDE), nas projeções (outlook) de outono, divulgadas esta quinta-feira, a partir de Paris.

A OCDE reviu ligeiramente em alta o ritmo de crescimento de Portugal (uma décima) em 2019, para 1,9%, mas cortou a previsão de 2020 nessa exata proporção, para 1,8%. A comparação é feita relativamente às projeções de maio último. Em 2021, a economia abranda para 1,7%, mesmo com o investimento total a acelerar de apenas 1,2% no ano que vem para 4,3% no seguinte.

A organização chefiada por Angel Gurría destaca, por exemplo, como fator que pode ser indiretamente melhor para a economia na visão da OCDE "a suavização do crescimento do consumo devido a um crescimento mais baixo dos salários".

Por um lado, esta suavização trava o consumo das famílias, mas depois salários mais disciplinados permitirão que "o crescimento das exportações seja sustentado por ganhos de competitividade, apesar das condições externas mais desafiantes".

Os resultados são magros, em todo o caso. As exportações, que este ano devem crescer 2,7%, travam para apenas 1,1% em 2020, mas só recuperam com algum vagar até 2,2% em 2021, diz a OCDE. Centeno espera muito mais: exportações a crescer 2,9% este ano e 3,9% no ano que vem.

Apesar deste ambiente pouco exuberante, aparentemente, as contas da OCDE (tal como as da Comissão Europeia) batem certas com as do Governo e de Mário Centeno, o ministro das Finanças, na parte do défice público. A OCDE considera totalmente alcançável um défice mínimo de 0,1% do produto interno bruto (PIB) este ano e um saldo zero (0%) no ano que vem.

O peso da dívida pública medido em proporção do PIB é igual ao de Centeno em 2019: 119,3%. Depois diminui para 117,1% em 2020; aqui, as Finanças têm uma meta um pouco mais ambiciosa no esboço orçamental enviado a Bruxelas, no qual projetam 116,2% do PIB.

OCDE pede "prudência" ao governo PS

Em todo o caso, a OCDE, tal como a Comissão, pede "prudência" na gestão orçamental por causa dos riscos internos: é preciso aumentar "eficiência" na despesa "crescente" e alerta Centeno para a necessidade de ter "almofadas orçamentais para responder a choques imprevistos e ao impacto do envelhecimento da população" nas contas públicas.

E por causa, claro, os riscos externos, que aliás se propagam à generalidade das economias que fazem parte do clube da OCDE (as ditas mais desenvolvidas).

São riscos negativos, no final das contas. "Os riscos negativos emanam de uma deterioração adicional das perspetivas de crescimento na União Europeia. A incerteza decorrente do Brexit pode afetar o comércio e o turismo. O setor bancário ainda está vulnerável a choques financeiros devido aos altos níveis de crédito malparado", refere a OCDE.

Mas há alguns fatores positivos que podem ajudar a contrariar este cenário de abrandamento, na opinião da OCDE: "a melhoria do desempenho do mercado de trabalho e da competitividade das exportações portuguesas, como resultado das reformas estruturais que continuam a dar resultados".

jornalista do Dinheiro Vivo

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