"O mundo está a caminhar para um esquema de energia muito diferente"

Aposta nos carregadores ultrarrápidos vai permitir à Cepsa ter uma oferta importante na Península Ibérica e garantir viagens longas de carro elétrico. CEO explica como a mudança está a acontecer.

Num mundo em que a descarbonização entrou definitivamente na agenda política e a preocupação com o meio ambiente vai crescendo, um dos pontos mais focados nas mudanças que já se têm vindo a produzir está na forma como nos deslocamos. Em poucos anos os carros elétricos e híbridos ganharam expressão e ainda que um veículo a gasolina ou a gasóleo continue a ser o mais vendido, as petrolíferas já se vão adaptando à realidade que a eletricidade está a conquistar o seu espaço. A Cepsa garante querer estar envolvida neste processo de transição e já está a apostar numa oferta que permite aos clientes carregar o carro em menos de dez minutos.

Ainda estamos longe de chegar a uma estação de serviço e ver mais pontos de carregamento elétrico do que espaços para atestar com o habitual combustível, mas a transição está a acontecer. "Nunca será uma mudança de um dia para outro", afirmou ao DN/Dinheiro Vivo José Aramburu, CEO da Cepsa Portugal. O responsável considera que se está perante a questão da galinha e do ovo: "Se não há carregadores, não pode haver carros [elétricos], não se pode usá-los. E se não há carros, tão pouco é rentável ter carregadores." Porém, com a venda de elétricos e híbridos a aumentar: "Ao haver mais carregadores, haverá mais carros e ao haver mais carros, aumenta a oferta de carregadores."

Com este processo já em plena evolução, o responsável salientou como a Cepsa quer fazer parte "da nova estrutura energética que se está a desenvolver", pois "o mundo está a caminhar para um esquema de energia muito diferente do antigamente". Referiu que se está perante uma nova era na empresa, e não só em termos elétricos, pois não esquece a possibilidade do hidrogénio.

O passo inevitável

Dar o passo rumo a uma oferta nos carregamentos elétricos "era inevitável" na Cepsa e nesta quarta-feira foi inaugurado o primeiro ponto de carregamento ultrarrápido numa estação de serviço da Cepsa. Na A2, em Almodôvar, em parceria com a Ionity e integrado na Via Verde Electric, vai permitir que um veículo possa ficar com a bateria carregada em menos de dez minutos. Como muito se repetiu na inauguração, é o tempo de ir beber um café.

A aposta da Cepsa foi nos carregadores com 350 kW de potência e o posto da A2 foi apenas o primeiro em Portugal, mas a marca já soma onze na Península Ibérica. O objetivo passará por equipar todos os mais de 1800 postos da empresa com esta tecnologia. Aramburu não sabe precisar quanto tempo irá demorar, mas para que a petrolífera faça o seu papel na meta da descarbonização, o responsável não tem dúvidas de qual o caminho que se irá seguir.

A mobilidade elétrica terá um grande peso no futuro da Cepsa segundo o CEO, mas o foco não se fica apenas por aqui. "É para onde vai o setor. Mas não é só na parte elétrica. Para o objetivo - no que respeita ao meio ambiente e à descarbonização - de cumprir os objetivos de 2030, há mais opções além do elétrico, como é o caso do hidrogénio. Mas está mais longínquo do que os outros combustíveis que estão a utilizar-se. Não há só uma resposta. Serão várias respostas, com várias tecnologias que vão estar a competir para triunfar", explicou.

A rede de abastecimento elétrica ultrarrápida vai continuar a crescer nos postos da Cepsa, mas José Aramburu realçou que tal tem de ser feito com o recurso a energia renovável. "A energia que se administra aqui é renovável. Se o mundo tem de se movimentar com veículos elétricos, então que não emitam CO2. Se há kW com carvão, o melhor é ficarmos pelo gasóleo", afirmou, acrescentando como fontes como a solar e a eólica são opções para a Cepsa.

Pandemia acelerou mudanças

No último ano ou um pouco mais, a pandemia mudou muito a mobilidade, com os confinamentos a reduzirem drasticamente as normais movimentações das pessoas. As petrolíferas sentiram essa diminuição. Ainda assim, José Aramburu frisa que isso também estimulou a transição que está a ser feita: "A pandemia provocou uma aceleração de mudança para o futuro. É uma visão mais pessoal. A mudança que todos sofremos - foi um ano e três meses, que pensámos que era um mau filme - mas penso que fez que olhemos para as coisas de forma diferente. Mudou-nos a vida. Já estava a acontecer, mas com este choque, acelerou."

O responsável admite que a pandemia teve impactos no negócio da empresa: "Com uma mobilidade tão reduzida, o nosso negócio refletiu isso mesmo. As vendas em toda a Europa, durante 2020, baixaram significativamente."

Ainda assim, a Cepsa mantém-se comprometida em contribuir para a descarbonização e até ao final do ano pretende que em Portugal e Espanha 31 dos seus pontos estejam equipados com carregadores ultrarrápidos. José Aramburu quer que os condutores possam fazer as suas viagens mais longas sem qualquer ansiedade se vão ter carga suficiente para chegar ao destino.

O CEO da Cepsa Portugal vê a parceria com a Ionity e a Brisa como ambiciosa e em Portugal será uma grande mudança na forma de viajar nas autoestradas. No momento em que os primeiros carregadores elétricos foram inaugurados na estação de serviço de Almodôvar, José Aramburu deixou vincado: "Na Cepsa entendemos as necessidades da sociedade e dos sinais que nos enviam os cidadãos. O nosso compromisso é responder às suas expectativas."

Em maio, os cidadãos que circulem na A3 poderão já aceder à tecnologia agora ainda só disponível na área de serviço de Almodôvar, na A2. A próxima área de serviço a receber os carregadores ultrarrápidos da Ionity será a de Barcelos.

dnot@dn.pt

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