Novo Banco. Governo e emigrantes lesados chegam a acordo

Emigrantes devem desistir de ações judiciais e poderão recuperar 75% do valor investido. Interessados devem pronunciar-se entre 11 e 28 de agosto

O governo e o Novo Banco reuniram na terça-feira com a associação de emigrantes lesados pelo BES, tendo apresentado uma solução para a recuperação de até 75% do capital investido por estes em dívida do Grupo Espírito Santo.

A informação foi avançada pela própria AMELP - Associação de Emigrantes Lesados do BES, em comunicado divulgado pelas redes sociais. Em contrapartida, os associados devem deixar cair as ações judiciais que têm em curso contra o Novo Banco.

"É com grande satisfação que vos informamos ter chegado a um entendimento com o Novo Banco e com o governo para recuperação do nosso dinheiro", refere a associação, alvo de inúmeros comentários positivos por parte dos seus representados. Segundo a AMELP, o acordo fechado com o ex-BES e com o governo permite a "recuperação de 75% do capital, em dinheiro, num prazo médio de três anos", para todos os investidores que aplicaram as suas poupanças nos produtos Euro Aforro 8, Poupança Plus 1, Poupança Plus 5, Poupança Plus 6, Top Renda 4, Top Renda 5, Top Renda 6 e Top Renda 7. Segundo a AMELP, a solução tem algumas particularidades consoante os produtos, informações "que serão apresentadas nos próximos dias" aos visados.

Por fechar ficou uma solução para os investidores nos produtos Euro Aforro 10 e EG Premium, sublinhou a associação, que realça que "o Novo Banco e o governo garantiram que também haverá solução" para todos aqueles que perderam o dinheiro investido nestes títulos. "A boa-fé desta garantia assenta na permissão de a tornar pública, o que acontecerá nos meios de comunicação social, com total confirmação do governo e do Novo Banco."

No seguimento do acordo, os emigrantes lesados serão agora chamados entre amanhã e dia 28 deste mês ao Novo Banco a pronunciarem-se sobre as propostas em cima da mesa, um "chamamento" que a associação rotulou de "honesto, verdadeiro e necessário", sublinhando que quem não responder durante este período "corre o risco de ficar de fora" da solução delineada.

Apesar do acordo agora fechado não prever os investidores do Euro Aforro 10, a associação aponta que também estes devem dirigir-se ao Novo Banco no período referido. "No caso do Euro Aforro 10, os associados devem aderir ao chamamento, pois, em princípio, poderão receber, já em outubro, um primeiro depósito parcial (cerca de 15%), correspondente a valores que o Novo Banco encontrou disponíveis no veículo."

A AMELP lembra por fim que, "para que esta hipótese seja viável", os seus associados devem reclamar os seus créditos no BES e que todos aqueles que já o fizeram não devem esmorecer perante a menção de Crédito não Reconhecido, um rótulo que devem impugnar num prazo de dez dias.
"Em resumo, a AMELP, o governo e o Novo Banco entenderam-se no sentido de ser encontrada uma solução para todos. A nossa contrapartida será desistir das ações judiciais contra o Novo Banco - tema que trataremos no futuro."

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