Novo Banco com prejuízos de 359 milhões de euros até setembro

Números são "melhoria de 14,3%" face ao mesmo período do ano passado

O Novo Banco registou prejuízos de 359 milhões de euros nos primeiros nove meses deste ano, o que representa "uma melhoria de 14,3%" face aos resultados líquidos negativos de 418,7 milhões do período homólogo de 2015.

Em comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), o banco liderado por António Ramalho indica que o Novo Banco "registou pela primeira vez um resultado líquido trimestral marginalmente positivo no montante de 3,7 milhões de euros", o que considera ser "uma clara melhoria face aos trimestres anteriores".

Na nota, o Novo Banco recorda que, desde a sua origem em 2014, após a medida de resolução aplicada ao Banco Espírito Santo (BES), a instituição apresentou "resultados trimestrais negativos superiores a 250 milhões de euros" e que "no primeiro trimestre do ano apresentou -249,4 milhões e no segundo trimestre -113,3 milhões".

Entre janeiro e setembro, o resultado operacional (antes de provisões e imparidades) do banco situou-se nos 217,7 milhões de euros, "um crescimento assinalável face aos 26,4 milhões no período homólogo de 2015".

Os custos operativos situaram-se em 449,9 milhões de euros, menos 24,3% face ao período homólogo do ano anterior, "reflexo da redução de colaboradores e das melhorias concretizadas ao nível da simplificação dos processos e da otimização da estrutura".

Quanto ao produto bancário, que corresponde aos ganhos conseguidos diretamente com a atividade bancária (essencialmente margem financeira e comissões), nos primeiros nove meses de 2016, atingiu os 667,7 milhões de euros, "representando um aumento de 7,5%, para o qual contribuiu um crescimento de 29,2% na margem financeira".

Nos primeiros nove meses de 2016, o Novo Banco reforçou as provisões no montante de 762,6 milhões de euros (+ 298,3 milhões face a setembro de 2015), "com as dotações para crédito a constituírem a componente mais expressiva", no montante de 425,8 milhões de euros, seguindo-se as imparidades de 113,7 milhões de euros para potenciais perdas com títulos e de 110,6 milhões de euros para custos de reestruturação.

O crédito a clientes caiu 3,3 mil milhões de euros nos primeiros nove meses do ano, para os 34.146 milhões de euros. Desta queda de 3,3 mil milhões no crédito, 1,4 mil milhões referem-se à atividade doméstica e 1,9 mil milhões à operação internacional.

Até setembro, os empréstimos concedidos às empresas atingiram os 22.830 milhões de euros, abaixo dos 25.908 milhões registados em dezembro, e o crédito aos particulares era de 11.315 milhões de euros, sendo que no final do ano passado atingia os 11.509 milhões.

No final de setembro, os depósitos do Novo Banco totalizaram cerca de 24,7 mil milhões de euros, "traduzindo uma redução de 2,7 mil milhões (-9,9%) face a dezembro de 2015", um decréscimo que se verificou "com maior incidência" em grandes depositantes.

No entanto, apesar da redução dos depósitos totais, no segmento dos clientes particulares, verificou-se "um crescimento líquido no ano superior a 800 milhões de euros".

Além disso, o Novo Banco obteve um financiamento líquido junto do Banco Central Europeu (BCE) que, no final de setembro de 2016, se fixou nos 6,2 mil milhões de euros, "o que representa uma redução de 0,8 mil milhões de euros face aos 7 mil milhões de euros verificados no final de 2015".

A instituição de António Ramalho destaca ainda que "a quase totalidade deste financiamento é obtido através da nova Linha de Financiamento de Médio Prazo (TLTRO II), o que permitiu uma redução do custo de financiamento e a obtenção de financiamento estável".

O rácio de capital Common Equity Tier 1 (CET1) estimado para 30 de setembro de 2016 fixou-se em 12,3%, "o que representa uma melhoria de 30 pontos base face a junho de 2016, mas uma degradação face a dezembro do ano passado, altura em que este indicador de solvabilidade era de 13,5%.

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