Nova ideia portuguesa para exportar: corridas de aviões

Futuro aeroporto de Lisboa e desenvolvimento do cluster aeronáutico português em debate no final de maio, em Ponte de Sor.

Espanha, Croácia e Polónia serão os primeiros destinos de uma nova aposta de divulgação do nome Portugal: corridas de aviões. Um projeto de campeonato europeu com raiz nacional - o Air Race Championship - que até pode ajudar as exportações.

Tendo em pano de fundo o sucesso da norte-americana Reno Air Races (Nevada) ou, a nível global, da Red Bull Air Race, a ambição de ter um campeonato europeu no próximo ano passa também por realizar uma competição a nível mundial porque há "propostas entregues" em países como Brasil e China, explicou ao DN Nuno Molarinho, diretor-geral da empresa que organiza o Portugal Air Summit em Ponte de Sor, de 24 a 27 de maio.

Esta ambição surge na sequência do êxito das corridas promovidas em Portugal pela empresa TheRace e realizadas em 2014 (Cascais) e 2016 (Lisboa). A "experiência e maturidade" adquiridas em termos de organização, telemetria, treino e seleção dos pilotos portugueses e estrangeiros, fiabilidade e performance dos aviões justificam as expectativas daquele responsável quanto ao sucesso do projeto no exterior.

"Estamos a desenvolver um produto para vingar na Europa e nos EUA, que tem potencial" de mercado e em termos de viabilidade, uma vez que "o futuro das corridas" está garantido "enquanto houver pilotos com experiência" na casa dos 40 anos e "com aviões de competição que estejam dispostos a correr". Para já, adianta Nuno Molarinho, há negociações para organizar uma última corrida no norte do país para "fechar o ciclo" de aquisição de experiência e conhecimento antes de avançar para o primeiro campeonato europeu na época 2018-2019.

A ideia na base do projeto - que poderá passar no próximo ano pelas cidades de Barcelona, Varsóvia e Split - já permitiu criar, desenvolver e produzir em Portugal gigantescos pilares insufláveis (conhecidos como pylons) de 25 metros de altura por sete de diâmetro que demarcam a pista oval - junta os dois modelos de corridas existentes há anos: ter um campeonato por pontos com vários aviões a competir em simultâneo (como é o caso de Reno, mas só em setembro) e em diferentes países (Red Bull, que é um rali em que voa um avião de cada vez).

Na prática, o Air Race Championship é o equivalente à Fórmula 1, referiu Nuno Molarinho: "É um crescendo ao longo do fim de semana, em que na sexta-feira há treinos, no sábado são as qualificações e no domingo a corrida" - com oito aviões em cada uma das categorias: Extreme, Vintage e Sport.

Quanto aos pilotos, cuja seleção procura equilibrar experiência e idade, a grande maioria são militares de origem. A justificação é simples: se "ninguém pode ser piloto antes dos 18 anos", importa também que tenham experiência de voo em formação e a alta velocidade a baixa altitude - como é o caso dos pilotos aviadores de caça.

"Um piloto comercial não tem de voar em formação ou a baixa altitude depressa", pelo que "a experiência acumulada" desde 2014 pela organização deste tipo de eventos "permitiu arranjar um conjunto de pilotos" com idades acima dos 38 anos e em que "95% vieram da Força Aérea inglesa, espanhola ou portuguesa". Certo é que, em nome da segurança e da longevidade do campeonato, "não podemos ir buscar jovens com 20 anos nem graúdos com 75".

Conferências e exposição

Se a ARC vai realizar-se pela terceira vez, Portugal Air Summit vai ter a sua segunda edição em Ponte de Sor e as corridas vão ser uma das suas componentes.

Conferências com 83 oradores portugueses e estrangeiros, em que um dos temas centrais será o novo aeroporto de Lisboa, a evolução da aviação comercial, o poder aéreo, os drones - em que as novas regras abrem novos mercados para a advocacia e as seguradoras - e uma exibição das várias aeronaves da Força Aérea completam o evento.

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