Nobel da Economia premeia investigação que mostra que SMN não reduz emprego

David Card, da Universidade da Califórnia, recebeu metade do prémio e a outra metade foi repartida entre Joshua Angrist, do MIT, e Guido Imbens, da Universidade de Stanford.

David Card, Joshua Angrist e Guido Imbens deram-nos novas perspetivas sobre o mercado laboral e mostraram que conclusões sobre causa e efeito podem ser retiradas de experiências naturais. A sua abordagem espalhou-se a outras áreas e revolucionou a investigação empírica". Foi assim que a Real Academia Sueca das Ciências justificou a atribuição do Prémio em Ciências Económicas em Memória de Alfred Nobel, aos três professores de Economia, todos de universidades norte-americanas. O prémio é conhecido como Nobel da Economia, mas na realidade foi criado em 1968 pelo Banco Central da Suécia para homenagear Alfred Nobel.

David Card é da Universidade da Califórnia, Berkeley, e venceu metade do prémio - no valor total de de quase um milhão de euros - "pelas suas contribuições empíricas para a economia laboral". A outra metade foi repartida entre Joshua D. Angrist, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e Guido W. Imbens, da Universidade de Stanford, "pela sua contribuição metodológica para a análise de relações causais".
Há muitas perguntas difíceis na área das ciências sociais, explica a Academia Sueca, questões que são "difíceis de responder, porque não temos nada para servir de termo de comparação". Por exemplo, como é que a imigração afeta os níveis salariais e de emprego de um país?

Trabalho de David Card, o principal galardoado, remonta aos anos de 1990 e permitiu concluir, por exemplo, que o salário mínimo não conduz a menos emprego .

Ora, o trabalho desenvolvido pelos galardoados permite responder a esta e a outras perguntas usando as "experiências naturais".

"Um exemplo de uma experiência natural", explica Ana Balcão Reis, professora da Nova SBE, "é o alargamento da escolaridade obrigatória. Esta alteração de política pode permitir, havendo os dados necessários, estudar o impacto de mais anos na escola. A análise do prolongamento da escolaridade obrigatória em Inglaterra por um ano em 1972, permitiu estabelecer o impacto positivo do investimento em educação nos rendimentos individuais e também na produtividade".
Já uma "relação causal", adianta ainda a investigadora e docente, usando o mesmo exemplo, é a conclusão de que "mais educação leva a maior rendimento individual e tem efeitos positivos na sociedade e não é apenas o reflexo de sociedades mais ricas, investirem mais em educação".

O trabalho de David Card permitiu perceber o impacto no mercado laboral do salário mínimo, imigração e educação. Os seus estudos começaram nos anos de 1990 e, diz a Academia Sueca, "desafiaram a sabedoria convencional , levando a novas análises e perspetivas". Uma das conclusões a que chegou é que "aumentar o salário mínimo não conduz necessariamente a menos emprego". O seu trabalho permitiu também concluir que o rendimento dos cidadãos de um determinado país podem beneficiar com a imigração.

Os dados recolhidos das experiências naturais são difíceis de interpretar e é aqui que entram os outros dois premiados: Joshua D. Angrist e e Guido W. Imbens "resolveram este problema metodológico, demonstrando como conclusões precisas de causa e efeito podem ser retiradas de experiências naturais".

Para Ana Balcão Reis, a atribuição do Nobel da Economia a estes investigadores "reflete a importância crescente do trabalho com dados e reforça a importância da disponibilização transparente de bases de dados completas aos investigadores". Isso, explica ainda, para que "estes dados possam ser trabalhados de forma rigorosa e oferecer uma boa sólida para a tomada de decisões de políticas públicas".

Carla Alves Ribeiro é jornalista do Dinheiro Vivo

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG