Negociação de frota permite à TAP poupar 1300 milhões

Caso o regime sucedâneo avance para tripulantes e pilotos, cortes nos salários são de 25% a partir dos 900 euros. E serão despedidos 750 tripulantes e 500 pilotos.

O presidente executivo da TAP, Ramiro Sequeira, admitiu ontem, na Assembleia da República, que "a otimização de custos operacionais em ajustes financeiros com a frota" deverá garantir poupanças à companhia da ordem dos 1,3 mil milhões de euros, a que se deverão juntar os resultados de negociações com outros fornecedores, elevando a poupança para 1500 milhões de euros.

A esses valores deverão somar-se outros. Questionado pelos deputados, o CEO assumiu que as medidas laborais são "duras". Contudo, "vão permitir uma poupança de 1,4 mil milhões de euros até 2025.
Nesse contexto, e já com acordos de emergência alcançados com 14 sindicatos representativos dos trabalhadores da TAP, 12 dos quais já ratificados, o presidente executivo diz que a adesão às medidas voluntárias é "positiva" e que, em menos de duas semanas, mais de 300 funcionários já se candidataram.
Ramiro Sequeira alinhou o discurso com o do governo e avisou pilotos e tripulantes: o tempo da negociação terminou e se não houver ratificação dos acordos de emergência nos próximos dias, o regime sucedâneo avança mesmo, porque a companhia "não pode continuar sem aplicar reduções" na massa salarial.

Já o chairman da empresa, Miguel Frasquilho, garantiu que "não lhe passa pela cabeça" que Bruxelas não aprove plano de reestruturação da TAP, mas admitiu que a luz verde possa só chegar depois do final de março.

Frisando que o plano de reestruturação permite salvar 7000 postos de trabalho (o grupo tinha quase 10 mil pessoas no final de 2019, sendo certo que no ano passado e neste ano houve cerca de 1500 contratos a prazo que não foram renovados e as medidas acordadas com os sindicatos vão levar à saída de cerca de 800 pessoas), Ramiro Sequeira assegurou que a companhia "aguarda" pelos sindicatos que ainda se vão pronunciar quanto aos acordos de emergência, mas alertou: "A TAP não pode continuar sem aplicar as reduções que estão previstas, quer nos fornecedores - essas estão a ser aplicadas - quer na massa salarial."

O CEO notou ainda que a TAP não pode estar a realizar apenas 7% dos voos que tinha feito em fevereiro de 2020 e a suportar os custos como se estivesse a operar toda a sua capacidade. "Não vai acontecer. Daí a questão do regime sucedâneo, que não é uma ameaça. É um mecanismo para pudermos garantir em duas frentes - perante Bruxelas mas também perante a nossa realidade de sobrevivência - que conseguimos tomar as medidas necessárias para salvar a TAP. Isso é o regime sucedâneo. Não é uma ameaça, é uma alavanca que esperamos não ter" de usar.

Miguel Frasquilho também ouvido no Parlamento, assegurou que os cortes na massa salarial dos funcionários vão começar em março e que "a ajuda pública estimada, nesta altura, a conceder à TAP até 2024 terá um impacto positivo na economia que será duas ou três vezes superior até 2030". Frasquilho assegurou que a dimensão da TAP, com 88 aviões de passageiros e três de carga, sem ser uma TAPzinha, vai permitir-lhe realizar voos intercontinentais, bem como manter e reforçar operações em cidades como Porto e Faro.

Ana Laranjeiro é jornalista do Dinheiro Vivo

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